O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do Governo na Câmara, disse nesta 5ª feira (14.mai.2026) que apresentará um pedido formal à Justiça para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja submetido a monitoramento por tornozeleira eletrônica. Pimenta sustenta que a medida é necessária depois da prisão preventiva de Henrique Moura Vorcaro, pai do fundador do Banco Master, na 6ª fase da operação Compliance Zero, “diante do risco de fuga”, diz.
“Com essa prisão de hoje aumenta ainda mais o risco de fuga. É preciso também bloquear imediatamente os bens de Flávio Bolsonaro para garantir que esse dinheiro seja devolvido ao FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, que é de onde está saindo o dinheiro para indenizar as pessoas que foram fraudadas”, afirma, em seu perfil no X.
O congressista também afirma ter certeza de que o dinheiro do Banco Master, os R$ 134 milhões solicitados por Flávio à Daniel Vocaro, “não eram para filme nenhum”. Para ele, o montante, serviu, entre outras finalidades, para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Para ele, fatos como a prisão preventiva de 7 investigados e as medidas cautelares solicitadas na operação, “mostram que a Polícia Federal possui independência” para investigar.
“Vamos provar que esse esquema do BolsoMaster estava instalado no coração do governo e que na realidade era um grande esquema de financiamento de campanha. Envolve financiamento de imóveis para Flávio Bolsonaro, manutenção do Eduardo Bolsonaro nesse esquema criminoso nos EUA, compra de influenciadores para atacar o banco central, o governo Lula”, afirma.
A OPERAÇÃO E O GRUPO A TURMA
A Polícia Federal deflagrou a nova etapa da operação Compliance Zero nesta 5ª feira (14.mai), sob autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O principal alvo foi Henrique Vorcaro, apontado como “demandante, beneficiário e operador financeiro” de uma organização criminosa dividida em 2 núcleos principais: A Turma e Os Meninos.
Segundo a investigação, A Turma funcionava como um braço intimidatório e policial-informacional, composto por policiais federais da ativa e aposentados, além de bicheiros e milicianos. O grupo realizava ameaças presenciais, monitoramento de alvos e acessos indevidos a sistemas governamentais para pressionar críticos do Banco Master e da família Vorcaro.
A PF identificou um “vínculo funcional intenso” entre Henrique Vorcaro e o grupo. Mensagens interceptadas mostram o empresário solicitando serviços ilícitos e providenciando repasses de R$ 400 mil a R$ 800 mil para a manutenção da estrutura, mesmo após o início das fases ostensivas da investigação.
A CONEXÃO COM FLÁVIO BOLSONARO
A ligação com Flávio Bolsonaro surge depois da revelação de áudios atribuídos a ele, em que patrocínio a Daniel Vorcaro, filho de Henrique, para o filme “Dark Horse”. Reportagem do Intercept Brasil indicou que um fundo ligado à produção recebeu US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.
O deputado Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo do longa, negou nesta 5ª feira (14.mai) que Daniel Vorcaro tenha investido na obra. “Não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”, afirmou Frias em comunicado, classificando a relação como “estritamente privada”. Segundo ele, o papel de Flávio limitou-se à cessão de direitos de imagem da família Bolsonaro e ao uso de seu sobrenome para atrair outros investidores.
FLÁVIO SE MANIFESTA
Depois das conversas serem reveladas, Flávio se encontrou com outros nomes importantes do Partido Liberal, como Valdemar Costa Neto (PL) e Rogério Marinho (PL-RN), no “QG do PL”, no Lago Sul, em Brasília. O apelido se refere à casa onde membros do partido discutem questões de campanha.
De dentro do “QG”, o senador gravou um vídeo confirmando seu envolvimento com Vorcaro, mas negando que as transações tenham envolvido dinheiro público ou sejam ilícitas.
“Toda essa história que tá sendo veiculada agora nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet […] Eu conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024. Não tinha mais governo Bolsonaro, não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele. O que acontece é que com o passar do tempo, ele simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, o filme sequer ser concluído. Em função disso, inclusive procuramos outros investidores para concluir esse filme”, afirmou Flávio.
Ao Poder360, a defesa da família de Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre a operação.
