A Americanas (AMER3) reduziu o prejuízo líquido em 34% no primeiro trimestre de 2026 (1T26), em comparação com o mesmo período no ano passado. Ao final do período, a companhia teve prejuízo de R$ 329 milhões, 34% abaixo ante os R$ 496 milhões negativos do 1T25.
Para o presidente da companhia, Fernando Soares, o resultado reflete o sucesso da estratégia da empresa focada em redução das despesas operacionais e ao desenvolvimento da estratégia de integração entre lojas físicas e digital.

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“Essa última estratégia segue sendo fortalecida ao longo dos próximos trimestres, com melhorias operacionais, de parcerias e de tecnologia”, explica Soares, em entrevista ao InfoMoney. De acordo com o presidente, a companhia tem estruturado um digital que serve à loja, o que também tem impactado no desempenho.
“O que fizemos agora no começo do ano foi, basicamente, destravar o valor que estava fácil, mas temos outros valores para serem destravados nos próximos trimestres”, explica Tiago Abate, vice-presidente de Consumer & Growth da companhia, sobre a operação.
De acordo com o executivo, a Americanas espera que o digital seja responsável por cerca de 10-15% da venda da lojas físicas. Ao final do trimestre, a receita bruta físico + o segmento O2O atingiu R$ 3,5 bilhões. As vendas em mesmas lojas (SSS) avançaram 22,2%, fortemente impulsionadas pelo Evento de Páscoa, em comparação ao ano passado.
Atualmente, o segmento O2O, com vendas digitais que podem ser retiradas nas lojas físicas, cobre um raio de 12 km em lojas de São Paulo. De acordo com o CFO, no segundo semestre, o objetivo da companhia é expandir o serviço para o estado inteiro. “São melhorias que tornam cada loja um mini centro de distribuição”, explica Abate.
Desinvestimento em andamento
De acordo com Sebastien Durchon, diretor financeiro (CFO) da companhia, a estratégia de venda dos ativos focou, inicialmente, em São Paulo. Nesta quarta-feira, junto com o balanço, a Americanas anunciou a venda de dez lojas de hortifruti da rede Natural da Terra ao Grupo Fartura.
As dez unidades foram vendidas por cerca de 3,3% dos R$ 2,1 bilhões desembolsados pela Americanas para adquirir a rede inteira, que contava com 73 lojas no período. Conforme a administração, as lojas vendidas eram deficitárias.
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Agora, a companhia ainda conta com três unidades, consideradas superavitárias. “Eliminamos totalmente a pressão do caixa de hortifruti com a sessão de ontem, mas ainda temos conversas para vender as três lojas em São Paulo”, explica Durchon.
Em paralelo, a companhia também iniciou conversas para a venda das lojas no Rio de Janeiro. De acordo com o CFO, as negociações estão menos avançadas nesse segmento, mas seguem em análise.
Desafios no varejo
Ainda na quarta-feira, o governo federal anunciou a remoção de impostos sobre compras internacionais. Sobre possíveis impactos esperados para a companhia, o presidente da companhia afirmou que a Americanas está olhando para dentro, na hora de se adaptar ao que quer que possa vir.
“Sempre que nos deparamos com algum desafio externo como esse, o nosso combinado aqui é olhar para o cliente e em como podemos nos adaptar diante da novidade”, explica. Segundo o CEO, essa estratégia vale tanto para a mudança nos impostos, como para o a taxa Selic e ao endividamento das famílias, que vem pressionando o consumo no país.
A estratégia geral, de acordo com Soares, inclui replanejar oferta, sortimento e relacionamento com o cliente. “Em termos de serviço financeiro, buscamos uma melhor equação do digital, ofertas mais personalizadas… E assim conseguimos navegar nessas águas”, conclui.
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