A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja lançar uma ofensiva política utilizando o caso “Dark Horse” como munição eleitoral. De acordo com o analista de política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360° a estratégia envolve ataques direcionados nas redes sociais e no rádio, com o objetivo de explorar o caso ao longo da disputa eleitoral.
Segundo Venceslau, a artilharia já estava preparada, mas a ideia original era iniciá-la mais próximo da eleição, por volta de meados de setembro.
“Campanha que é muito agressiva atrai rejeição”, explicou o analista, ressaltando que as campanhas do PT costumam concentrar os ataques em momento mais próximo do pleito.
Por que rádio e redes sociais?
A escolha pelo rádio e pelas redes sociais como principais plataformas de ataque não é casual. Na televisão, é obrigatório que a coligação identifique os partidos responsáveis pela inserção publicitária, o que expõe mais a campanha.
No rádio, segundo Venceslau, “dá para disfarçar mais”, sendo esse o veículo preferido para a campanha negativa. Nas redes sociais, a ofensiva já teria começado “com força total”, em parte para tentar equilibrar o desgaste causado pelo caso do INSS, envolvendo o filho do presidente Lula e Marcola.
Ainda de acordo com Pedro Venceslau, petistas já adotaram uma hashtag com o mote “100 dias sem Flávio Bolsonaro prestar contas”.
O contexto é que, quando veio à tona a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro — e a revelação de que o filme “Dark Horse” teria sido financiado com dinheiro do ex-banqueiro —, Flávio Bolsonaro prometeu prestar contas em 30 dias sobre o destino dos recursos. Esse prazo teria sido descumprido.
A campanha também resgatou as hashtags “Flávio Caro” e “Bolsomaster”, esta última uma referência ao período em que Flávio Bolsonaro tentou associar o caso do Banco Master ao governo Lula, estratégia posteriormente abandonada diante da proximidade comprovada entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Defesa de Karina Gama pede transferência ao STF
Em paralelo, a empresária Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, pediu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, a suspensão da investigação conduzida contra ela na Justiça de São Paulo.
Segundo apuração do analista de Política da CNN Caio Junqueira, a defesa de Karina Gama alega que a apuração estadual estaria se apropriando de competência que seria do STF, já que o filme é alvo de um inquérito conduzido pelo próprio André Mendonça.
A origem da investigação em São Paulo está em um contrato entre o Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à empresária, e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5 mil pontos de internet, cuja efetivação não teria sido devidamente comprovada.

