Levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) registrou alta de 3,28% em julho no indicador de Consumo nos Lares Brasileiros, na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a junho, o dado avançou 3,01%.
Segundo a associação, o indicador monitora o comportamento dos consumidores considerando o cenário macroeconômico e fatores sazonais que impactam diretamente o consumo nos lares.
A alta neste índice no último mês mostra que o consumo avançou nos últimos 12 meses e ante o mês passado. Enquanto isso, o preço da cesta alimentícia medido pelo Índice AbrasMercado segue o movimento contrário.
A cesta, composta por 35 produtos de largo consumo, ficou mais barata em julho de 2026. O valor médio de R$ 852,54 passou a cair para R$ 841,95 no período, um recuo de 1,24%. O resultado modifica também o acumulo no ano, que passou a ser de alta de 5,20%.
O desempenho vai em linha com o ambiente nacional de menor pressão dos preços dos alimentos.
No IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o principal indicador de inflação no Brasil) do mesmo mês, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67%.
Dentro desse grupo, os preços da alimentação no domicílio caíram 1,14%, reduzindo a pressão sobre o orçamento destinado ao abastecimento das famílias.
“Julho reuniu condições mais favoráveis ao consumo das famílias. A queda dos preços da alimentação no domicílio reduziu a pressão sobre o orçamento, enquanto o mercado de trabalho e os recursos em circulação ao longo do mês contribuíram para sustentar a renda”, analisa o vice-presidente da Abras, Marcio Milan.
De acordo com Milan, as férias escolares também alteraram a rotina das famílias, estimulando mais refeições e lanches dentro de casa, o que pode ter tido influência sobre o indicador de consumo.
Além da queda nos preços, indicadores recentes do mercado de trabalho reforçam um cenário de sustentação da renda, estimulando o consumo.
Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (27), a taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, abaixo dos 5,8% registrados no trimestre encerrado em abril e dos 5,6% observados no mesmo período de 2025.
O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.762, com crescimento de 3,3% no ano. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 383,5 bilhões, avanço de 4,1% no ano, o equivalente a mais R$ 15,1 bilhões a mais no ano.
Queda no valor das cestas
O recuo nos preços das cestas, por sua vez, estende um movimento já visto no mês anterior. Em junho, o resultado mensal teve retração de 0,28%, enquanto o avanço acumulado havia encerrado o primeiro semestre em 6,52%.
Neste último mês, a maior retração ocorreu no Sudeste, com queda de 1,53% e valor médio passando de R$ 870,48 para R$ 857,12.
Na sequência, aparece o Norte, com queda de 1,50%, de R$ 941,00 para R$ 926,88; Centro-Oeste, com redução de 1,30% e valor médio passando de R$ 801,23 para R$ 790,83; e Nordeste com recuo de 1,29%, de R$ 773,03 para R$ 763,08.
A última região se manteve no posto da cesta de menor valor médio entre as macrorregiões.
A menor retração, porém, foi registrada no Sul, onde o valor caiu 1,21%, com mediana da cesta passando de R$ 928,72 para R$ 917,52.
Na comparação com junho, alguns produtos básicos apresentaram variações distintas: enquanto o açúcar refinado, o café torrado e moído, o feijão, o óleo de soja e o arroz caíram, o leite longa vida, a farinha de mandioca, a massa sêmola de espaguete e a farinha de trigo avançaram.
Confira ranking dos alimentos da maior queda para a maior alta:
- Açúcar Refinado (-3,41%);
- Café torrado e moído (-2,45%);
- Feijão (-2,17%);
- Óleo de soja (-1,56%);
- Arroz (-0,43%)
- Farinha de trigo (+0,04%)
- Massa sêmola de espaguete (+0,51%);
- Farinha de mandioca (+0,54%);
- Leite longa vida (+2,47%).
Em sentido oposto, registram queda o açúcar refinado (-13,82%), o café torrado e moído (-13,66%), o óleo de soja (-10,66%), a farinha de trigo (-4,74%), o arroz (-0,94%) e a massa sêmola de espaguete (-0,14%).
Julho também foi o mês para estabilidade nas carnes bovinas, enquanto o frango congelado teve leve alta de 0,22%, o pernil caiu 0,48% e os ovos, 2,73%.
Entre os vegetais frescos, o tomate e a batata caíram forte em relação a junho, com recuo de 29,09% e 19,59%, respectivamente. A cebola seguiu em sentido contrário, com alta de 7,74%.
Mesmo após as retrações mensais, a batata acumula elevação de 46,44% no ano e o tomate, de 29,35%. Já a cebola alcança alta de 65,20% de janeiro a julho, a maior entre os 35 produtos acompanhados pelo AbrasMercado.
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