O governo do presidente americano, Donald Trump, anunciou a intenção de equipar o ICE com luvas que emitem choques elétricos. O investimento pode ficar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões, com previsão de entrega até o final de março do ano que vem. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema ao CNN 360°.
A fabricante das luvas afirma que o equipamento teria o objetivo de reduzir confrontos. A administração Trump também pressiona por 2 mil prisões de imigrantes por dia, ao mesmo tempo em que tenta reagir às críticas pelas táticas consideradas agressivas e perigosas da agência.
Percepção pública e dados de pesquisas
Fernanda Magnotta destacou que o tema da imigração foi uma das principais motivações que levaram à eleição de Donald Trump em 2024, ao lado da economia.
Segundo ela, a opinião pública americana não rejeita necessariamente a fiscalização migratória, mas questiona a forma como ela é conduzida. “Lidar com a questão de algum modo não significa necessariamente dar ao Estado, ao governo, um cheque em branco”, afirmou Magnotta.
A analista apresentou dois dados emblemáticos para ilustrar o cenário. Uma pesquisa da Gallup registrou que 73% dos americanos, apesar das questões ligadas aos indocumentados, ainda consideravam a imigração um elemento capaz de trazer benefícios ao país, como mão de obra e diversidade.
Já uma pesquisa do Pew Research Center, mais recente, mostrou que 52% dos norte-americanos consideravam que o governo estava indo longe demais em boa parte das medidas, incluindo as deportações.
Magnotta também apontou que uma das ações que pior repercute junto ao eleitorado é a prática de agentes federais esconderem a identidade com máscaras, impedindo sua identificação.
Ela ressaltou ainda que as operações do ICE geraram mortes nos últimos meses, inclusive em protestos, o que ampliou o questionamento sobre o uso da força. “O uso da força tem sido amplamente questionado. É um debate que vai se dando nos Estados Unidos, sobretudo sob essa perspectiva da legitimidade institucional”, disse a analista.
De acordo com Magnotta, o desgaste relacionado às medidas imigratórias excessivas já se reflete nas previsões para as eleições de meio de mandato, convertendo-se em vantagens para independentes e republicanos moderados em alguns estados.
Entre as respostas à pressão da opinião pública, ela destacou campanhas por investigações e supervisão no Congresso, além do debate sobre o uso de câmeras corporais pelos agentes.

