A Justiça de São Paulo tornou o ex-professor da USP Alysson Leandro Barbate Mascaro réu por crimes de estupro, estupro de vulnerável, importunação sexual e assédio sexual contra ex-alunos e integrantes de um grupo de estudos ligado à Faculdade de Direito.
A informação foi confirmada pela própria defesa de Mascaro, em nota enviada à CNN Brasil. A CNN Brasil entrou em contato com o TJ de São Paulo, mas não obteve retorno até o momento.
Na nota enviada à reportagem, a defesa de Alysson Mascaro diz que a decisão da Justiça “possui caráter meramente preliminar e não representa qualquer juízo definitivo acerca dos fatos ou da responsabilidade do acusado.”
Nota da defesa – na íntegra
O processo tramita sob segredo de justiça, razão pela qual a defesa está legalmente impedida de divulgar detalhes ou informações relativas aos autos.
De toda forma, diante da divulgação pública de informações sobre o caso, esclarece que a decisão que recebeu a denúncia possui caráter meramente preliminar e não representa qualquer juízo definitivo acerca dos fatos ou da responsabilidade do acusado. Inicia-se agora a fase processual destinada à apresentação e nova deliberação sobre o recebimento da denúncia; uma espécie de confirmação. Depois, com a confirmação do recebimento da denúncia, a defesa e à produção das provas pertinentes terá início.
Alysson está confiante de que, uma vez apresentados os robustos elementos documentais que demonstram a licitude de suas relações e a inexistência de qualquer prática criminosa, os fatos serão devidamente esclarecidos e a Justiça prevalecerá. Alberto Zacharias Toron e Luiza Oliver
Relembre o caso
A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) afastou, em dezembro de 2024, o professor Dr. Alysson Leandro Barbate Mascaro de suas atividades na universidade após o docente ser alvo de denúncias por assédio sexual.
Na decisão feita na época do afastamento, a faculdade afirmava que havia fortes indícios da materialidade dos fatos que se enquadram como assédio sexual vertical, que ocorre quando uma pessoa em posição de autoridade faz avanços ou comentários de natureza sexual em relação a alguém em posição subordinada, a constrangendo com intimidações com o objetivo de obter algum favorecimento sexual.
“Durante o afastamento cautelar, o docente não poderá comparecer a aulas, reuniões, bancas, nem aos espaços físicos e/ou virtuais em que atua como docente na unidade, bem como se utilizar das funções, prerrogativas e acessos que o cargo lhe confere para contatar os denunciantes e testemunhas ou interferir de qualquer modo os trabalhos de investigação”, afirma a faculdade de Direito.
Em nota pública divulgada nas redes sociais, no fim de novembro ainda daquele ano, a defesa de Mascaro alegava que ele estaria sendo vítima de crimes cibernéticos, sofrendo um processo de perseguição por pessoas desde 2023 a fim de atacar sua honra.
“Grupo de pessoas vem perpetrando acusações inverídicas para ferir sua imagem pública”, diz um trecho da nota.
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