Delegações do Líbano e de Israel se reuniram em Washington, nos Estados Unidos, para uma nova rodada de negociações sobre a guerra no Oriente Médio. Em meio às tratativas, o presidente libanês Joseph Aoun afirmou que EUA, Irã e Líbano cogitam formar um grupo conjunto para garantir o cumprimento do cessar-fogo.
A situação diplomática permanece extremamente delicada, de acordo com a correspondente internacional Mariana Janjácomo, ao CNN 360º. Mesmo com a trégua em vigor, os ataques continuaram nesta terça-feira (23). O Ministério da Saúde libanês informou que pelo menos duas pessoas foram mortas em decorrência de ataques israelenses. O Hezbollah afirmou que as vítimas estavam ajudando a limpar estradas e a recuperar corpos de destroços quando foram atingidas pelos disparos. Israel, por sua vez, declarou que se tratavam de terroristas armados que representavam uma ameaça imediata aos soldados israelenses, acrescentando que não permitirá que o Hezbollah cause danos a civis ou militares israelenses.
EUA tentam desassociar conflitos no Líbano e com o Irã
Marco Rubio chegou aos Emirados Árabes com o objetivo de separar diplomaticamente dois cenários distintos: a guerra envolvendo o Irã e a situação no Líbano. Rubio argumentou que o futuro do povo libanês pertence ao Líbano e que é com o governo libanês que os Estados Unidos irão negociar. Segundo ele, o problema do Irã reside no apoio ao Hezbollah.
No entanto, as duas questões permanecem profundamente interligadas. O Irã vem exigindo o fim dos ataques no Líbano como condição para discutir ou assinar qualquer acordo de cessar-fogo. Os Estados Unidos, por sua vez, tentam desassociar os dois conflitos para preservar o período de dois meses de discussões técnicas previsto no memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã. É nesse contexto que Rubio empreende seus esforços diplomáticos.
Tensão entre Washington e Tel Aviv
A diferença de posições entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu tornou-se cada vez mais evidente ao longo do conflito. Segundo Mariana Janjácomo, que acompanha as negociações de Washington, houve ligações acaloradas entre os dois líderes, com Trump pressionando Netanyahu a interromper os ataques no Líbano para viabilizar o avanço das negociações e garantir a continuidade do diálogo com o Irã. Netanyahu, em situação política distinta, teria insistido na manutenção das operações militares.
Nos Estados Unidos, Trump enfrenta questionamentos crescentes sobre os rumos do conflito. O acordo provisório já assinado levanta dúvidas sobre o que, de fato, Washington está obtendo com a guerra. Enquanto isso, moradores do sul do Líbano começaram a retornar às suas casas após a trégua acordada na semana passada, congestionando as rodovias da região. Alguns motoristas relataram ter ficado meses fora de casa por causa dos combates. A fragilidade do acordo e a permanência das forças israelenses em território libanês, porém, alimentam preocupações sobre a durabilidade da paz.

