Foto: Lúcio Cavalcanti/Embrapa
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Na segunda-feira, 4, a Embrapa Amazônia Ocidental recebeu um grupo de empresários do setor primário, à frente o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas, Muni Lourenço Filho, para conhecer o projeto Pesquisa & Desenvolvimento para Produção Intensivo e Sustentável de Óleo de Pau-Rosa (Aniba rosaeodora), liderado pelo pesquisador Edson Barcelos desde 2024.
A FAEA pretende, com apoio da Embrapa, fundamentar a realização de eventos ampliados para levar esse conhecimento a um número ainda maior de produtores interessados em voltar a produzir a essência. Árvore nativa da Amazônia, historicamente explorada de forma predatória, é valorizada principalmente por seu óleo essencial rico em linalol, amplamente utilizado na perfumaria de luxo (como fixador, famoso no Chanel Nº 5) e na cosmética. Suas propriedades incluem ação anti-inflamatória, cicatrizante, regeneradora de tecidos, antisséptica e calmante, sendo útil no tratamento de feridas e cuidados da pele.
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A espécie, um dos sustentáculos da economia amazonense no ciclo do Extrativismo (1912 – 1967) teve sua produção drasticamente reduzida de 500 toneladas por ano até a década de 1970 para apenas 1.480 quilos em 2021. Objetivando superar entraves e impulsionar nova arrancada em relação ao cultivo comercial, o projeto tem como foco a seleção de matrizes de alta qualidade, o desenvolvimento e validação de protocolos de clonagem por estaquia, definição de práticas agronômicas para redução de perdas no plantio e maior uniformidade nos cultivos. Nesse sentido, está sendo estabelecida uma coleção de trabalho, com materiais genéticos de diversas procedências, de forma a oferecer uma ampla base genética para apoiar atividades de seleção e melhoramento da espécie.
Segundo Barcelos, a pesquisa parte de uma população inicial de 80 árvores-matrizes localizadas na propriedade da empresa parceira da Embrapa, Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). Entre essas, foram escolhidas, inicialmente, as 10 com maior vigor e teor de óleo na biomassa superior a 1,5%, reproduzidas por sementes.

Em novembro de 2025, foi iniciada a retirada dos galhos dessas plantas para a produção dos clones, por enraizamento de miniestacas (processo que usa pequenos pedaços de plantas (miniestacas) para que criem raízes e se desenvolvam em novas mudas idênticas à planta mãe). A reprodução do pau-rosa vem também sendo estudada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), mas em ambiente laboratorial, por enquanto sem escala comercial.
Ainda serão avaliados diversos parâmetros agronômicos para consolidar um sistema de produção robusto e sustentável, tais como: época ideal e altura da poda, espaçamento entre plantas, tipos e doses de adubação e estratégias para controle de pragas e doenças. Para plantar cinco hectares, são necessárias cinco mil mudas.
Mas não há sementes suficientes e, quando há, o material genético é muito heterogêneo e não garante produção de mudas de qualidade. Por outro lado, plantios diretos realizados a partir de sementes apresentam alta taxa de mortalidade — entre 70% e 90% — além de grande variabilidade genética, comprometendo a uniformidade das plantas e o teor de óleo, que pode variar de 0,5% a 2,0%.
Repetindo idêntica combinação de fatores técnicos, ecológicos e logísticos que determinaram a derrocada da produção extrativa da borracha na Amazônia, Edson Barcelos observa que, durante décadas, o pau-rosa foi igualmente explorado sem um sistema tecnológico de produção específico e preocupação com o futuro da atividade. As árvores, cortadas rente ao solo não permitiam replantios e manejo adequado. Após sua inclusão na lista de espécies ameaçadas de extinção, a prática foi proibida. No entanto, sem tecnologia adequada ao cultivo comercial, a área plantada de pau rosa, concentrada nos municípios amazonenses de Maués, Novo Aripuanã e Itacoatiara, hoje não ultrapassa 50 hectares, ressalta.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
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