Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo
Um vídeo publicado nas redes sociais viralizou ao mostrar a presença de mais de dez jacarés-tinga em um igarapé localizado no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus (AM). O registro foi feito pela psicóloga Flávia Ribeiro no domingo, dia 26 de abril, nas proximidades do condomínio Eliza Miranda, e rapidamente ganhou repercussão.
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Nas imagens, os animais aparecem juntos em um mesmo trecho do curso d’água, entre áreas de vegetação e acúmulo de lixo. A cena surpreendeu os moradores e chamou atenção pela quantidade de répteis reunidos em plena área urbana.
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O jacaré-tinga (Caiman crocodilus) é uma das espécies mais comuns da Amazônia, encontrado em igarapés e rios de águas rasas, inclusive em áreas urbanas de Manaus. Ele mede entre dois e três metros e se alimenta de peixes, crustáceos e aves, desempenhando papel importante no equilíbrio ecológico da região.
Ao Grupo Rede Amazônica, Flávia revelou que já está acostumada a ver jacarés na região, mas se surpreendeu com a quantidade registrada no vídeo.
“Olha, a presença de jacarés-tinga na região é extremamente comum, mas o que chama atenção é justamente a quantidade de animais juntos e a proximidade com a área urbana, além da beleza deles que impressiona”, disse.
Ela mora há pouco mais de um ano no condomínio próximo ao igarapé e afirma que percebeu um aumento no número e no tamanho dos animais.
“Desde que eu cheguei já percebi a presença dos jacarés-tinga na região, mas o que eu notei é que com o tempo, eles vêm aumentando, tanto em quantidade como em tamanho também”, relatou.
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Segundo Flávia, alguns moradores alimentam os animais, o que pode ser perigoso.
“Eu mesma já presenciei moradores jogando restos de comida para os jacarés. Isso acaba incentivando a aproximação deles, o que não é seguro. Até o momento não houve nenhum acidente, mas é importante manter o cuidado e respeitar o espaço desses animais”, completou.
Jacarés se adaptaram ao meio urbano, diz especialista
O biólogo e especialista em crocodilianos amazônicos, ldean Fernandes, explicou que a espécie se adaptou ao ambiente urbano e que a presença deles no local é antiga.
“Eles vivem há bastante tempo lá. É uma espécie resiliente, que conseguiu se adaptar ao ambiente alterado. Já identificamos até ratos domésticos na dieta desses jacarés, o que mostra como eles aproveitam os recursos disponíveis em áreas urbanas”, afirmou.
Ele destacou que, apesar de serem predadores, os jacarés-tinga são ariscos e costumam se afastar quando perturbados.
“O jacaré-tinga não costuma atacar. Ele é muito arisco e, quando perturbado, se evade rapidamente. Situações de agressividade podem ocorrer apenas em casos de proteção de ninho ou quando o animal se sente encurralado”, disse.

Fernandes, que há dez anos monitora a espécie, contou que os animais conseguem manter uma distância segura dos humanos.
“Eles mensuram uma distância segura entre o observador e eles para poder agir. Quando estamos na ponte, eles permanecem, mas quando descemos para a borda do igarapé, todos se evadem rapidamente”, explicou.
*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM
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