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Sem provas, Flávio volta a alegar fraude nas eleições

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a alegar fraude nas eleições presidenciais de 2026, mas não apresentou provas. Em entrevista ao jornal norte-americano New York Times, publicada nesta 5ª feira (5.nov.2026), afirmou que sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi “matematicamente impossível”.

Flávio, que fugiu para os Estados Unidos depois do 2º turno, intensificou as críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Antes mais moderado que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em relação às urnas eletrônicas, o senador passou a levantar suspeitas de manipulação de votos e reiterou alegações já negadas sobre falhas de segurança no sistema de totalização dos resultados.

O senador também sugeriu, sem apresentar evidências, que a prorrogação do horário de votação poderia ter sido utilizada para acrescentar irregularmente votos a Lula.

“Tenho minhas suspeitas. Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado”, declarou.

O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou as alegações de fraude. Observadores internacionais independentes atestaram a integridade do pleito, e dezenas de países reconheceram o resultado.

Os Estados Unidos não reconheceram formalmente a vitória de Lula. O presidente Donald Trump (Partido Republicano) afirmou que a eleição brasileira pareceu “estranha”, mas evitou dizer quem venceu.

Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio, diferença superior a 4,4 milhões de votos. A prorrogação da votação envolveu cerca de 34.000 votos computados depois das 19h, número insuficiente para alterar o resultado.

PL RECONHECEU RESULTADO

As novas declarações contrastam com a posição do próprio PL, partido de Flávio, que reconheceu oficialmente o resultado das eleições em 26 de outubro, por meio de nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.

Depois da derrota, Flávio chegou a anunciar que questionaria a validade da votação. No dia seguinte, porém, sua assessoria confirmou ao Poder360 que o senador havia desistido, naquele momento, de pedir a anulação do pleito.

A estratégia anunciada passou a ser a apresentação de uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) contra a chapa de Lula, por supostos abusos de poder político e econômico durante a campanha.

Apesar do recuo, Flávio voltou a contestar publicamente o resultado. Ao New York Times, afirmou que pretende buscar medidas judiciais contra a vitória do petista, embora reconheça as poucas chances de sucesso. “Sei que isso não vai levar a nada. Perdi para o sistema”, disse.

FUGA DO BRASIL

Na mesma entrevista, concedida na 4ª feira (4.nov), em Aventura, na Flórida, Flávio afirmou que organizou sua saída do Brasil sem ajuda de governos estrangeiros.

“Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou.

Questionado sobre os detalhes do trajeto até os Estados Unidos, afirmou: “Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”.

Segundo o New York Times, porém, o jato particular utilizado pelo senador foi providenciado por um integrante da Casa Branca, e sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano).

Flávio deixou o Brasil depois de receber uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes. O senador não cumpriu a determinação no prazo estabelecido.

Ao jornal, afirmou acreditar que seria preso caso permanecesse no país. Disse também que pretende continuar atuando politicamente dos Estados Unidos e não descartou disputar novamente a Presidência. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, declarou.