A C&A registrou lucro líquido ajustado de R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 23% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do recuo, o resultado superou as estimativas dos analistas e impulsionou as ações da companhia.
Em entrevista ao CNN Money, o CEO da varejista, Paulo Correia, afirmou que eventuais novos programas de recompra de ações dependerão das condições do mercado financeiro.
O lucro líquido consolidado da varejista, por sua vez, alcançou R$ 170,3 milhões no trimestre, alta de 145% em relação aos R$ 69,5 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A receita líquida de vestuário cresceu 2,6%, para R$ 1,7 bilhão, enquanto a receita líquida consolidada somou R$ 1,88 bilhão.
Paulo Correia destacou que a companhia conseguiu ampliar a margem bruta em 0,6 ponto percentual no trimestre, alcançando o 21º trimestre consecutivo de crescimento do indicador. Segundo o executivo, o resultado foi sustentado pelo controle de despesas e pela estratégia de oferecer coleções alinhadas à demanda dos consumidores.
“Apesar de todo o desafio do cenário macroeconômico, que obviamente impacta o consumo das famílias, a C&A vem fazendo um trabalho de trazer essa dinâmica de sortimento de produtos de relevância das coleções com muita força”, afirmou.
O CEO também reconheceu que parte do avanço do lucro foi influenciada por efeitos não recorrentes, como o reconhecimento de créditos fiscais no período.
Segundo Correia, a situação de caixa da companhia permite manter os investimentos e sustentar os planos de crescimento para os próximos trimestres. A estratégia está alinhada ao planejamento de longo prazo da empresa, com metas até 2030.
“Esse desenho de longo prazo está sendo executado consistentemente e vem trazendo resultados muito interessantes em termos de última linha para a companhia”, disse.
O C&A Pay, cartão digital próprio da varejista, registrou resultado superior a R$ 20 milhões no terceiro trimestre de 2026. A operação, lançada em 2021, utiliza tecnologia para avaliar a capacidade de pagamento dos clientes e orientar a concessão de crédito.
“A gente não quer dar um crédito oportunista, a gente quer dar um crédito que seja realmente um facilitador para quem está com a vida organizada e conseguindo fazer um caminho de pagamento consistente”, afirmou Correia.
Diante do cenário de juros elevados no Brasil, o executivo sinalizou que a companhia pretende manter uma política conservadora de concessão de crédito, com foco no controle da inadimplência e na sustentabilidade dos resultados.
Recompra de ações e perspectivas
Sobre o programa de recompra de ações encerrado recentemente, Correia avaliou que a iniciativa trouxe retorno positivo para a companhia. A possibilidade de uma nova operação, no entanto, dependerá das condições do mercado, do preço dos papéis e das oportunidades de investimento disponíveis.
“Estamos considerando, vamos continuar considerando, dentro de um modelo de alocação de capital, a possibilidade de abrir um novo programa de recompra”, declarou.
Para o quarto trimestre de 2026, período que concentra datas importantes para o varejo, como Black Friday e Natal, o CEO demonstrou otimismo. Segundo ele, dezembro costuma registrar uma receita equivalente ao dobro de um mês comum. A companhia também observou crescimento mês a mês ao longo do terceiro trimestre.
“A gente está muito bem preparado e está muito otimista para esse quarto trimestre, esperando acelerar o crescimento comparativamente com o terceiro trimestre”, afirmou.

