O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 6ª feira (18.set.2026) que o caso envolvendo o Banco Master deve “respingar” na reta final da eleição de 2026. Segundo ele, os desdobramentos da investigação passaram a ocupar espaço no debate político em vez de temas relacionados à disputa eleitoral.
A fala se deu durante entrevista à jornalista Isabele Benito, da Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. O chefe do Executivo disse considerar “uma tristeza” que a discussão esteja concentrada no episódio.
“A sociedade não tem por que aceitar isso como normal. Você tem um cidadão que era um Zé Ninguém. O governo Bolsonaro devia a banqueiros; ele criou o Banco Master no governo Bolsonaro, deu um desfalque de R$ 60 bilhões, envolveu outros bancos, envolveu o governo do Estado com o fundo de pensão”, afirmou.
Na entrevista, Lula voltou a defender uma reforma do Poder Judiciário, mas afirmou que o caso Banco Master precisa ser resolvido antes. “Mas, antes de fazer essa reforma, nós temos que resolver esse problema. Está todo mundo ali. Ali você tem cinco ministros que estão ligados direto e indiretamente”, declarou.
O presidente também citou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao defender a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Disse que a rixa entre o magistrado e a família Bolsonaro não estaria relacionada ao caso do Master, mas às decisões envolvendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus aliados.
“A briga da família Bolsonaro com o Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é por causa da prisão da família, por causa do comportamento do Alexandre de Moraes, que foi correto em defender a democracia desse país”, afirmou.
Lula disse ainda que o caso envolve diferentes instituições e que há pessoas com receio dos desdobramentos das investigações: “Tem muita gente com medo na República. Muita gente”.
O presidente também criticou a concentração do debate público no Supremo. Disse que a sociedade não deveria aceitar como normal uma situação em que questões institucionais ocupassem o espaço de discussões sobre a eleição.
A possibilidade de impacto eleitoral do caso já vinha sendo discutida. Em março, muito antes da campanha, o Poder360 mostrou a preocupação de aliados de Lula com a possibilidade de o episódio atingir a campanha de reeleição do presidente.
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