A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição orientou sua militância a subir o tom e pedir investigação contra ministros do STF (Supremo Tribunal de Federal), após o início do julgamento sobre o ministro Alexandre de Moraes na Corte.
Integrantes da campanha de Lula à reeleição são enfáticos em dizer que o petista defende a abertura de uma investigação contra o ministro e que o mesmo é feito, por exemplo, em relação ao próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Secretário de Comunicação do PT e membro da campanha de Lula, Éden Valadares, acionou aliados por meio do “porta-vozes” — um canal utilizado pelo petismo para “unificar” a narrativa sobre temas-chave na disputa eleitoral.
“Lula tem uma opinião cristalina: ninguém pode ficar de fora da investigação, tudo precisa ser apurado com rigor e transparência. E Lula quer que se investigue todo mundo: seja parente, delegado, juiz ou ministro. E que seja investigado todo mundo ao mesmo tempo”, afirmou.
Em nome da coordenação da campanha, Valadares afirma ainda que Lula respeita a independência entre os Poderes, mas defende uma reforma do Poder Judiciário que “dê fim aos privilégios e fortaleça as instituições acima de interesses privados e individuais”.
Como mostrou a CNN Brasil, o entorno do presidente lamentou o pedido de vista do ministro Flávio Dino no julgamento.
A torcida de aliados do petista era para que o julgamento culminasse em uma investigação contra Alexandre de Moraes. O cálculo era de que o desfecho atenderia a um clamor social, tiraria o Supremo do foco e abriria espaço para outro temas pautarem a disputa eleitoral.
O desafio à campanha é o fato de a oposição tentar associar a atuação de uma “tropa de choque pró-Moraes”, composta pelos ministros Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, ao Palácio do Planalto.

