O SGB (Serviço Geológico do Brasil) mapeou uma região do Ceará considerada promissora para novas descobertas de lítio e outros minerais críticos, em um trabalho que pode ajudar mineradoras a direcionar futuras campanhas de exploração no estado.
O levantamento se concentrou na Subprovíncia Pegmatítica de Solonópole, onde ocorrências de lítio já são conhecidas e empresas privadas mantêm projetos de exploração.
A pesquisa não representa a descoberta de uma nova jazida nem apresenta estimativas de recursos ou reservas minerais, mas amplia o conhecimento sobre onde e em quais condições geológicas novas mineralizações podem ser encontradas.
Na prática, esse tipo de levantamento funciona como uma etapa inicial de redução do risco geológico. Ao identificar as características das rochas, estruturas e minerais associados às ocorrências de lítio já conhecidas, o SGB consegue estabelecer parâmetros que podem ser utilizados para procurar áreas semelhantes ainda pouco estudadas.
O estudo combinou análises geoquímicas de sedimentos e rochas, levantamentos geofísicos aéreos e terrestres e análises específicas de minerais. Durante os trabalhos de campo, pesquisadores visitaram 68 ocorrências de lítio já conhecidas na região, muitas delas associadas a antigos garimpos atualmente inativos.
Essa etapa, no entanto, ainda está distante da definição de uma mina.
Depois da identificação de um alvo geológico, empresas precisam realizar novos levantamentos, amostragens e, principalmente, campanhas de perfuração para determinar a continuidade, a espessura e o teor da mineralização. Só então é possível avançar para estimativas de recursos e estudos sobre a viabilidade econômica de um eventual projeto.
Empresas já exploram região
A região de Solonópole já vinha despertando interesse de companhias de mineração antes da publicação do novo levantamento.
A australiana Oceana Metals mantém um projeto de lítio na região cobrindo aproximadamente 124 quilômetros quadrados. Segundo a companhia, trabalhos de campo identificaram cerca de 20 quilômetros de pegmatitos mineralizados aflorantes dentro de suas áreas.
A própria empresa destaca a existência de antigos garimpos de lítio, tântalo, nióbio e estanho na região. Levantamentos anteriores do governo já haviam identificado minerais de lítio como lepidolita, ambligonita e espodumênio nos pegmatitos de Solonópole.
Outra empresa que mantém ativos no Ceará é a American Salars, com o projeto Jaguaribe, localizado na região de Jaguaribe-Solonópole.
Os resultados divulgados pelas empresas, assim como os dados do SGB, ainda não significam a existência de depósitos economicamente viáveis. Amostras pontuais com elevados teores ou a identificação de minerais de lítio precisam ser confirmadas por trabalhos capazes de demonstrar volume e continuidade da mineralização.
Solonópole se destaca
O estudo do SGB analisou diferentes distritos pegmatíticos no Ceará. Entre eles, a região de Solonópole-Quixeramobim foi apontada como aquela com maior potencial prospectivo para mineralizações de lítio, césio e tântalo.
A divulgação ocorre em meio ao esforço do governo para ampliar o conhecimento sobre minerais considerados estratégicos para a transição energética. O lítio é uma das principais matérias-primas utilizadas em baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

