O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), publicou na 5ª feira (27.ago.2026) uma lista na qual ele aparece como o melhor presidente da história norte-americana. A postagem foi feita na Truth Social, rede social de propriedade do próprio Trump.
A lista não indica quem fez a avaliação. Alguns dos presidentes mais celebrados da história do país não aparecem na relação, entre eles Dwight Eisenhower, Ronald Reagan, George Bush pai, George W. Bush, Harry Truman, John Kennedy e Lyndon Johnson.
Desafetos e ausências
Na classificação, os presidentes são distribuídos entre as categorias “o melhor”, “excelentes”, “quase excelentes”, “na média”, “abaixo da média” e “fracassos”. Os ex-presidentes Joe Biden e Barack Obama, adversários políticos de Trump, figuram na pior categoria.
Dois presidentes amplamente criticados pela historiografia ficaram fora da faixa de “fracassos”. James Buchanan (1857-1861), considerado por historiadores um líder incapaz de conter a tentativa de secessão dos Estados do Sul que desencadeou a Guerra Civil Americana (1861-1865), foi classificado por Trump como “abaixo da média”. Andrew Johnson (1865-1869), que se opôs à garantia de direitos civis para ex-escravos e permitiu que Estados do Sul adotassem leis discriminatórias contra negros vigentes até meados dos anos 1960, recebeu a classificação “na média”.
A publicação ocorre num contexto de baixa popularidade. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na 2ª feira (24.ago.2026) apontou que a desaprovação de Trump entre eleitores norte-americanos chegou a 65%.
A aprovação foi registrada em 33%. O levantamento ouviu 1.215 norte-americanos do dia 21 a 24 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Estreito de Ormuz
A lista de presidentes não foi a única postagem de Trump a chamar atenção nas últimas semanas. Em 18 de agosto, o presidente americano compartilhou nas redes sociais uma imagem intitulada “Novo território dos EUA”, que mostrava o estreito de Ormuz e os golfos Pérsico e do Omã com um círculo sobre a via marítima. A publicação foi feita pelos perfis oficiais de Trump e da Casa Branca.
A postagem foi interpretada como uma provocação ao Irã e veio dias depois de Trump ter declarado publicamente a intenção de reivindicar Ormuz como território americano.
O estreito de Ormuz é uma rota marítima localizada entre o Irã e a Península Arábica que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta. Grandes produtores, como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos, dependem da rota para escoar parte de sua produção.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, respondeu à postagem de Trump. “Em breve, sua ilusão a respeito do estreito de Ormuz será corrigida, ou nós corrigiremos as ilusões desse iludido”, afirmou.
Pelo direito internacional, os EUA não podem tomar posse do estreito de Ormuz por meio de uma declaração unilateral. A Carta da ONU (Organização das Nações Unidas) proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial de outros países.
Em termos territoriais, Ormuz é dividido entre águas do Irã e de Omã; a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garante a navios e aeronaves de qualquer nação o direito de passagem pela via. O Irã assinou a convenção, mas não a ratificou.
O contexto é de escalada. O conflito entre EUA e Irã se aproxima de 6 meses sem perspectiva de encerramento. O Irã planeja abandonar sua postura defensiva e passar à ofensiva caso as negociações com Washington fracassem. Trump também ameaçou bombardear Omã, que atuava como mediador na guerra, caso o país ratificasse um acordo com Teerã sobre a gestão do estreito de Ormuz.
