O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que o PT não pretende ingressar na Justiça Eleitoral com um pedido de inelegibilidade do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi feita em vídeo publicado em suas redes sociais na 3ª feira (21.jul.2026). Na 2ª feira (20.jul) o senador questionou, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas em reunião com embaixadores de diversos países.
A posição do PT vem em resposta direta ao episódio. Para Lindbergh, buscar a inelegibilidade do senador seria exatamente o que a oposição deseja: munição para construir uma narrativa de perseguição política. “Eles querem justamente isso: transformar qualquer medida em combustível para uma narrativa de vitimização”, afirmou o deputado.
Assista (1m54s):
Estratégia eleitoral do PT
Na avaliação de Lindbergh, a melhor resposta ao discurso de Flávio Bolsonaro é derrotá-lo pelo voto, não pela via judicial. O congressista rejeitou a cassação dos direitos políticos do senador e apostou na disputa direta nas urnas como caminho prioritário do partido.
“O nosso objetivo é derrotá-lo nas urnas eletrônicas”, declarou, reforçando a confiança no sistema eleitoral brasileiro.
Para o deputado, a participação democrática da população é a forma mais eficaz de demonstrar a legitimidade das eleições brasileiras e refutar os questionamentos levantados pelo senador.
Lindbergh também disse que Flávio Bolsonaro tenta reproduzir a postura adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao levar críticas ao sistema eletrônico de votação a representantes diplomáticos estrangeiros. Segundo o deputado, a iniciativa integra uma estratégia para semear dúvidas sobre a lisura das eleições antes mesmo da realização do pleito.
Jair Bolsonaro está inelegível desde 2023 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, após ter se reunido em julho de 2022 com embaixadores no Palácio da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro criticou sem provas o sistema eleitoral brasileiro, as urnas eletrônicas e a atuação do STF e do TSE.
Na avaliação do congressista, esse tipo de discurso busca criar um ambiente propício para futuras contestações dos resultados eleitorais, caso a direita seja derrotada nas urnas.
Internacionalização do discurso
Outro ponto destacado por Lindbergh é a tentativa de internacionalizar o discurso de desconfiança nas eleições brasileiras. O deputado afirmou que a apresentação dessas alegações a embaixadores estrangeiros procura construir uma narrativa para questionar os resultados das urnas e angariar apoio político fora do país, com ênfase nos Estados Unidos.
“Agora eles citam os Estados Unidos. Eles vão tentar fazer isso. É um discurso golpista”, disse Lindbergh no vídeo.
O deputado traçou um paralelo com o comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e alertou para o risco de Flávio Bolsonaro seguir o mesmo caminho. Segundo ele, a insistência em colocar em dúvida o sistema eleitoral pode gerar consequências jurídicas e políticas semelhantes às enfrentadas pelo pai e pelo irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Esse caminho que você está tomando é o mesmo do seu pai. Você vai acabar igual a ele e Eduardo Bolsonaro, condenado por atentar contra a democracia brasileira”, afirmou o parlamentar.
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