O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta 4ª feira (8.jul.2026) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou dados divergentes sobre os armamentos em sua casa. A afirmação foi feita em decisão que determinou busca e apreensão na casa do ex-chefe do Executivo. Leia a íntegra (PDF – 152 kB).
Segundo Moraes, as diferentes informações tornaram a busca “imprescindível” para garantir que não há mais armas na casa do ex-presidente.
“A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida e justifica a adoção de medida constritiva destinada exclusivamente à localização e apreensão de armamentos remanescentes”, escreveu Moraes.
Na 2ª feira (6.jul.2026), o Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília informou ao STF que entregou à PF 6 das 8 armas registradas em nome do ex-presidente e que estavam sob sua custódia. No mesmo dia, Moraes havia ordenado que o arsenal fosse entregue à Polícia Federal em até 48 horas.
Segundo o batalhão, duas armas listadas não estavam no quartel.
Na 3ª feira (7.jul), a defesa de Bolsonaro informou que uma das armas –uma pistola Glock– que o batalhão afirmou não ter localizado foi apreendida pela PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal).
Já a espingarda Maestro Arms Company, segundo a defesa, foi um presente dado a Bolsonaro e permanece desde a compra em uma loja de artigos bélicos em Caxias do Sul (RS). Os advogados sugeriram que Moraes oficie a empresa para confirmar a custódia da arma.
Mais cedo, um dos advogados do ex-presidente, João Henrique Freitas, confirmou a operação e disse que nada foi encontrado. “É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, disse nas redes sociais.

PRISÃO DOMICILIAR
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses e, desde 24 de março, está em prisão domiciliar humanitária por motivos de saúde. Embora o ministro Alexandre de Moraes tenha mantido o regime domiciliar, ele revogou o porte de arma e o certificado de registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) do ex-presidente.
A determinação de apreensão do arsenal foi motivada por um episódio registrado em 15 de junho, em Brasília, quando a PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal) apreendeu uma pistola Glock em uma blitz no Pistão Norte. A arma, de propriedade de Bolsonaro, estava em um carro conduzido por Estácio Leite da Silva, militar que atua em sua segurança.
Na ocasião, a defesa afirmou a Moraes que o equipamento estava inoperante e havia sido entregue ao segurança apenas para manutenção. Embora a Procuradoria Geral da República não tenha identificado falta grave na conduta, o STF considerou a posse de armas incompatível com a atual condição jurídica do condenado.

