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O exemplo mais fresco da esquerda golpista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
O exemplo mais fresco da esquerda golpista

Há a direita golpista e há a esquerda golpista. É atributo de ambas não reconhecer a derrota eleitoral, seja acusando fraude nas urnas ou apelando à ilegitimidade existencial, que é não admitir o direito à própria existência do oponente ideológico.

A esquerda golpista tem exemplo fresco como peixe de mercado portuário na figura do presidente colombiano Gustavo Petro, amigão de Lula.

Ele não reconhece a vitória do direitista Abelardo de la Espriella, presidente eleito da Colômbia que deverá tomar posse no dia 7 de agosto.

Gustavo Petro diz que aceita como sucessor apenas o filósofo Iván Cepeda, a quem apoiou, e convocou uma grande manifestação para o dia 20 de julho contra a eleição do adversário.

Um dos argumentos do esquerdista é risível: Abelardo de la Espriella não poderia ser presidente porque, além da colombiana, tem as nacionalidades italiana e americana, esta última o principal problema, segundo Gustavo Petro.

É que, para adquirir a cidadania americana, Abelardo de la Espriella teve de jurar fidelidade à Constituição dos Estados Unidos, o que representaria uma ameaça à soberania da Colômbia.

De onde Gustavo Petro tirou essa história? Da cabeça dele, uma vez que o Tribunal Superior de Bogotá já se manifestou a respeito do assunto. Fez saber que “a aquisição de uma cidadania estrangeira não implica, por si só, a perda da nacionalidade colombiana nem a configuração automática de inelegibilidade para o exercício de funções e cargos públicos”.

Gustavo Petro também afirma que houve falcatrua na contagem de votos, apesar de observadores nacionais e internacionais, entre os quais os enviados pela União Europeia, terem atestado a lisura do processo eleitoral.

O resultado é que Aberlado de la Espriella interrompeu a transição de governo e chamou as Forças Armadas a atuar na proteção da democracia.

“Petro e Cepeda iniciaram o seu Plano B para permanecer no poder a todo custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado. Como presidente eleito, peço às Forças Armadas da Colômbia que cumpram o seu juramento, protejam a Constituição e a democracia e não obedeçam a quaisquer ordens que Petro possa dar em contrário”, disse Abelardo de la Espriella em mensagem de vídeo veiculada nas redes sociais.

Para um golpista de qualquer coloração ideológica, a democracia é apenas um atalho para alcançar o poder e dele nunca mais sair.

Há de se reconhecer, no entanto, que a esquerda golpista teve a iniciativa de teorizar o ardil, emprestando à democracia um “valor estratégico”, não universal. Ou seja, como mero instrumento para a conquista do Estado e das suas instituições. Sempre em nome, é claro, da defesa dos trabalhadores, dos pobres, dos oprimidos.

Quanto à direita golpista, ela é mais franca na sua desonestidade. Não esconde querer o poder absoluto para conservar e defender os privilégios das classes sociais mais abastadas. Mas isso, evidentemente, não a torna melhor do que a esquerda golpista. É apenas menos hipócrita.

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