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Com cenário desfavorável, palanque do PT em MG vira “jogo de empurra”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Ainda não há definição de qual candidato vai encabeçar a chapa ao governo de Minas Gerais pelo Partido dos Trabalhadores. Depois da desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB), a favorita da sigla no momento é a ex-prefeita de Contagem Marília Campos. No entanto, ela mesma acredita que uma candidatura própria é um “equívoco” e segue firme na pré-candidatura ao Senado. 

O cenário no Estado não é favorável ao PT. Pesquisas mostram que o senador Cleitinho (Republicanos-MG) lidera com folga a disputa pelo Palácio Tiradentes. Nesse contexto, pode ser mais oportuno aos petistas tentar vagas no Congresso do que no Executivo estadual.

Inicialmente, o presidente do PT, Edinho Silva, havia rejeitado o nome de Marília para o governo. Agora, ambos devem se reunir no final de semana para tratar da candidatura. 

A avaliação é que, caso Marília desista de concorrer à Casa Alta –o que é considerado difícil–, outras candidaturas de petistas mineiros podem ser favorecidas: a do deputado Reginaldo Lopes e a da secretária nacional de Planejamento e Finanças da sigla, Gleide Andrade. O problema é que Marília aparece bem cotada nas intenções de voto ao Senado.

No caso de Reginaldo, se a ex-prefeita de Contagem desistir de concorrer ao Senado, ele poderia se tornar o candidato do partido. Há a expectativa de que Marília se “sacrifique”, como ele fez em 2022, ao desistir da Casa Alta em favor do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). 

Reginaldo abriu mão daquela eleição para que o partido conseguisse formar o palanque para a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois que ele cedeu, o PT indicou o nome de André Quintão como vice de Alexandre Kalil (PDT), que concorreu ao governo do Estado contra Romeu Zema (Novo). 

Já Gleide é pré-candidata a deputada, assim como Reginaldo. Com a possível candidatura dele ao Senado, ela seria favorecida na corrida pela Câmara: não haveria a divisão de votos no partido.

O Poder360 procurou o deputado Reginaldo Lopes e a tesoureira Gleide Andrade por meio de aplicativo de mensagens para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da candidatura de Marília ao Senado. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

IMBRÓGLIO EM MINAS

O palanque do Estado para a reeleição de Lula começou a ruir com a desistência de Pacheco, no fim de maio. Em um 1º momento, o PT começou a analisar os nomes de Kalil e do empresário Josué Gomes da Silva (PSB) como possíveis substitutos. Contudo, o diretório estadual prefere uma candidatura própria

Na 4ª feira (24.jun), Lula se reuniu, no Palácio da Alvorada, com deputados federais de Minas Gerais e integrantes da Executiva Estadual do PT mineiro para discutir o palanque do Estado. 

Depois do encontro, a presidente da legenda em Minas, Leninha, disse que houve a confirmação de que o diretório lançaria candidatura própria. “As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o Estado”, escreveu. 

Da reunião, o nome de Marília saiu como o consenso para a candidatura. A avaliação do PT é que ela se sai melhor nas pesquisas do que os demais nomes testados pelo partido. Porém, no entendimento do entorno de Marília, apenas Lula seria capaz de convencê-la a desistir do Senado.

A ex-prefeita de Contagem considera que uma chapa puro-sangue é “legítima do ponto de vista partidário”, mas “um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no Estado”.

Leia a íntegra da nota de Marília Campos:

“A decisão de lançar candidatura própria ao Governo de Minas Gerais em 2026, reafirmada na nota divulgada pelo PT mineiro, merece reflexão. Embora legítima do ponto de vista partidário, ela representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no Estado.

“A realidade política de Minas e os desafios de 2026 exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas. Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula.

“As pesquisas mostram que o campo progressista ainda busca consolidar uma candidatura competitiva ao governo. Justamente por isso, o caminho não é apresentar uma candidatura própria, mas liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, REDE, PSOL, PDT e outras forças que sustentam o governo federal. A eleição de Lula em 2022 demonstrou que os melhores resultados surgem do diálogo, da convergência e das frentes amplas.

“A pré-candidatura de Marília Campos ao Senado –construída coletivamente, aprovada pelas instâncias partidárias desde janeiro e respaldada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva– demonstra força política. Marília deixou a Prefeitura de Contagem, onde governava com ampla aprovação popular, para percorrer Minas, dialogar com prefeitos, vereadores, setor produtivo e movimentos sociais. Trata-se de uma pré-candidatura estratégica porque Minas não possui atualmente senadores da base do presidente Lula e porque representa um importante avanço na presença feminina em cargos majoritários. Essa é a única disponibilidade política colocada por Marília para a disputa de 2026 e o palanque petista capaz de contribuir para a reeleição do presidente Lula no Estado.

“A equipe da pré-candidatura reafirma a convicção de que Minas Gerais precisa construir uma ampla aliança democrática para a disputa do Governo do Estado, reunindo os partidos que sustentam o governo Lula e priorizando aquilo que une as forças progressistas e democráticas. Mais do que projetos individuais, o momento exige responsabilidade política, diálogo e compromisso com uma alternativa viável para Minas Gerais.”