Organizações de direitos humanos intensificaram as exigências de acesso a presos políticos na Venezuela e de liberdade para eles, após dois fortes terremotos atingirem a nação sul-americana na quarta-feira (24).
Duas organizações internacionais exigiram que o governo suspendesse a censura a plataformas online e redes sociais, alertando que a não adoção dessa medida poderia custar vidas.
A Human Rights Watch insistiu que as autoridades “deveriam desbloquear” sites censurados para “permitir que todos os detidos, incluindo presos políticos, se comuniquem com suas famílias”.
A organização Robert & Ethel Kennedy Human Rights Center, sediada nos Estados Unidos, solicitou “informações transparentes sobre a situação dos presos políticos e as condições dos centros de detenção”.
“Reiteramos nosso apelo pela libertação imediata de todos os presos políticos”, acrescentou o centro.
A Anistia Internacional endossou essas exigências, afirmando que as autoridades “devem garantir o direito à vida, à integridade pessoal e à liberdade enquanto prestam assistência à população”.
Equipes de resgate e familiares dos detidos devem ter acesso a “todos os centros de detenção” para “verificar a segurança de todos os detidos e suprir necessidades básicas, incluindo assistência médica essencial”, disse a organização.
“As autoridades venezuelanas devem suspender imediatamente as restrições ilegais e desproporcionais à liberdade de milhares de ex-vítimas de detenção arbitrária”, afirmou a Anistia Internacional.
Até 25 de maio, mais de 400 prisioneiros permaneciam detidos — segundo dados compilados pela organização não governamental Foro Penal — após anos de governo autoritário.
Os dois fortes terremotos ocorreram poucos meses depois de forças dos EUA terem capturado o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, intensificando a instabilidade política em um país assolado por crises econômicas e hiperinflação.
Venezuela sob escombros
Equipes de resgate trabalharam durante a madrugada desta sexta-feira (26) para salvar centenas de venezuelanos presos sob os escombros e localizar milhares de desaparecidos, após dois dos maiores terremotos da história moderna da América Latina devastarem áreas na capital, Caracas, e nos arredores.
O governo informou que 235 corpos foram levados a centros médicos, mas não forneceu uma estimativa total de vítimas dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, que atingiram uma região a cerca de 160 km a oeste de Caracas no início da noite de quarta-feira (24).
Um site criado para monitorar pessoas desaparecidas, divulgado por líderes da oposição da nação politicamente polarizada, registrava mais de 49.600 pessoas sem paradeiro conhecido, enquanto o USGS (Serviço Geológico dos EUA) estimava mais de dez mil mortes.
Com a chegada de equipes de resgate estrangeiras, bombeiros, soldados e moradores desesperados vasculhavam os escombros de prédios destruídos; alguns usavam as próprias mãos e lanternas em locais onde a energia elétrica havia sido cortada.
Até então, o terremoto mais mortal da história moderna da Venezuela havia ocorrido em 1967, matando 240 pessoas.

