O governo federal adiou a reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que estava marcada para 4ª feira (24.jun.2026). Esse é o 3º adiamento consecutivo do encontro do colegiado. A pauta principal era a elevação do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina, que passaria dos atuais 30% (E30) para 32% (E32). Segundo o Ministério de Minas e Energia, a mudança ocorreu por “motivos de agenda” e uma nova data será divulgada em breve.
A deliberação sobre a mistura dos combustíveis se arrasta há mais de um mês. O encontro do colegiado, presidido pelo ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), estava marcado inicialmente para 7 de maio.
Foi remarcado para 11 de maio e, na sequência, cancelado porque Silveira acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
AVAL DE ALCKMIN E PRESSÃO DO SETOR
No último sábado (20.jun), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), chegou a dar como certa a aprovação do conselho, durante a inauguração da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, em Dom Aquino.
“Na próxima 4ª feira, o CNPE aprovará 32% para a mistura de etanol na gasolina. […] Iremos perceber a redução no preço da gasolina com a aprovação e início da nova mistura”, declarou o vice-presidente na ocasião.
A medida atende à forte pressão de congressistas e associações do setor de biocombustíveis. O segmento argumenta que a mudança reduz a dependência do Brasil da importação de combustíveis em um cenário de instabilidade internacional, agravado pela guerra no Irã.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a alteração fará com que o país deixe de importar cerca de 450 milhões de litros de gasolina por ano.
OUTROS TEMAS DA PAUTA
Além da questão dos combustíveis, a pauta da reunião suspensa também previa deliberações sobre diretrizes de combate a fraudes no mercado de derivados de petróleo e a nova política de comercialização do gás natural da União.
DÍVIDAS DA ELETRONUCLEAR
O colegiado também avaliaria a viabilidade para a repactuação das dívidas da Eletronuclear relacionadas à construção da usina de Angra 3.
A estatal pleiteia apoio do Ministério da Fazenda para acionar o mecanismo de stand still, uma suspensão temporária dos pagamentos devidos ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e à Caixa Econômica Federal.
Sem essa pausa nas cobranças, a empresa alega que ficará sem recursos para pagar os bancos públicos, o que poderia levar à execução da garantia do governo federal.
