O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (27.mai.2026) que pretende destravar 2 das obras mais controversas da Amazônia: a BR-319 e a Ferrogrão. Em entrevista à Rede Amazônica, em Manaus, disse que a rodovia entre Manaus e Porto Velho será “a mais ambientalmente bem situada do planeta” e declarou que o governo “vai fazer” a ferrovia voltada ao escoamento de grãos do Centro-Oeste.
Lula afirmou que não há mais obstáculos para o avanço da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e se tornou símbolo do embate entre desenvolvimento e preservação ambiental na Amazônia.
“O que falta? Não falta mais nada. Falta começar a fazer agora”, declarou. O trecho central da via permanece sem pavimentação contínua há décadas.
Segundo o presidente, o governo pretende adotar mecanismos de controle ambiental ao longo da estrada para evitar o avanço do desmatamento e ocupações irregulares. “Essa rodovia vai ser a rodovia ambientalmente mais bem situada do planeta Terra”, afirmou.
O governo Lula incluiu a BR-319 no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e tenta avançar com estudos ambientais e projetos de recuperação. O licenciamento, porém, continua cercado de controvérsias.
Durante a entrevista, Lula também voltou a defender a Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar Sinop (MT) ao porto de Miritituba, em Itaituba (PA), para facilitar exportações de soja e milho pelo Arco Norte. “Se tem uma coisa que eu posso garantir, nós vamos fazer a Ferrogrão”, declarou.
O projeto é tratado pelo agronegócio como estratégico para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.
A ferrovia, no entanto, enfrenta resistência de organizações indígenas e ambientais. O traçado passa próximo ao Parque Nacional do Jamanxim, área protegida no sudoeste do Pará.
Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal manteve válida a redução de parte do parque para permitir o avanço do projeto da Ferrogrão. A decisão foi tomada pela 1ª Turma da Corte ao rejeitar recurso do Psol contra mudanças feitas por medida provisória editada no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
Mesmo com a decisão favorável no Supremo, o projeto ainda depende de avanços no licenciamento ambiental e em estudos técnicos.
“Muitas vezes as pessoas anunciam pela imprensa uma coisa que não está acontecendo”, disse Lula.
A entrevista foi concedida durante agenda de Lula em Manaus, onde o presidente anunciou investimentos da Petrobras e da Transpetro no Amazonas.
