Após o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Donald Trump, o governo federal passou a avaliar com atenção o movimento dos Estados Unidos. Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira ao Live CNN, pessoas próximas ao governo acreditam que o republicano estaria fazendo um “jogo duplo”.
Preocupação com Trump, não com Flávio
A principal preocupação do governo não recai sobre Flávio em si, mas sobre a postura de Trump ao recebê-lo. Clarissa Oliveira relatou que, nas conversas que teve com pessoas próximas ao governo, o encontro não é visto como algo de “preocupação zero”.
“A preocupação é muito mais com o Trump do que com o Flávio Bolsonaro (PL-RJ)”, afirmou a analista. O governo não acredita que o encontro terá impacto eleitoral significativo, pois avalia que o senador dialoga apenas com a base que já é sua.
Recado nas negociações
A leitura predominante entre os governistas é a de que Trump estaria enviando um recado ao governo brasileiro por meio da recepção a Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo Clarissa Oliveira, a interpretação é a de que Trump estaria sinalizando: “você tem mais é que ser bacana comigo aqui nas negociações, vamos falar das coisas que me interessam aí no seu mundão, terras raras e assim por diante, porque, afinal de contas, senão eu tenho a opção de ajudar esse cara aqui nas eleições deste ano no Brasil”.
A analista destacou ainda que Trump tem feito um esforço de influência sobre a América Latina, impulsionado pela sua relação com o presidente argentino, Javier Milei, e que ter um nome ligado à direita no comando do Brasil estaria longe de ser algo ruim para o líder norte-americano.
Munição eleitoral para o campo governista
Aliados do governo já começaram a utilizar as imagens do encontro como munição eleitoral. Clarissa Oliveira relatou ter recebido mensagens de grupos de WhatsApp de apoiadores do governo, nos quais a foto de Flávio com Trump era apresentada como prova de que o pré-candidato seria “subserviente aos Estados Unidos”.
A narrativa construída pelo campo governista é a de opor Flávio, retratado como alguém que “abaixa a cabeça para Trump“, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentado como o líder que conversa de igual para igual com o chefe de Estado norte-americano e defende os interesses do Brasil.
A analista acrescentou que Lula teria exigido, nos bastidores, ser recebido na Casa Branca — e não em Mar-a-Lago —, reforçando a imagem de chefe de Estado que busca tratamento equivalente nas relações internacionais.

