Um grupo de 14 associações representativas do sistema financeiro nacional divulgou, nesta 4ª feira (20.mai.2026), uma nota conjunta em defesa da autonomia financeira e orçamentária do BC (Banco Central). O documento manifesta apoio institucional ao posicionamento do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.
A manifestação é divulgada um dia após o embate entre Galípolo e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Durante audiência na 3ª feira (19.mai.2026), o congressista afirmou que o presidente do BC teria sinalizado aval à venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília) antes de o órgão regulador barrar a operação.
Galípolo negou a afirmação e rebateu dizendo que o Banco Central “não é palanque” nem deve “gravar TikTok” para responder a pressões políticas.
ORÇAMENTO E PESSOAL
No documento, as entidades afirmam que o BC enfrenta uma “urgente necessidade” de recomposição de seu orçamento e de reforço no quadro de servidores. Segundo as associações, a rápida evolução de novas modalidades de negócios –como fintechs, arranjos de pagamentos e criptoativos– ampliou consideravelmente os desafios de regulação, supervisão e fiscalização da autoridade monetária.
O texto destaca que o fortalecimento institucional da autarquia alinha o Brasil aos padrões das principais economias globais. De acordo com o grupo, a consolidação da autonomia orçamentária reduz o prêmio de risco do país, assegura a estabilidade das decisões de política monetária e pavimenta o caminho para um sistema de crédito moderno e seguro.
As organizações signatárias afirmam congregar, juntas, mais de 1.500 associados do mercado financeiro e de capitais.
Eis a íntegra da nota das associações:
“Nota Conjunta em apoio ao Presidente do Banco Central, na defesa da autonomia financeira
“As entidades de classe signatárias, representativas de instituições financeiras e entidades que atuam no mercado financeiro, que juntas congregam um número superior a mil e quinhentos associados, manifestam seu apoio ao Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, em sua importante defesa da autonomia financeira e orçamentária da Autoridade Monetária.
“As entidades reconhecem a urgente necessidade do reforço orçamentário e do quadro de pessoal, para que o Órgão possa continuar atuando em sua árdua tarefa de regulação, supervisão e fiscalização de um gigantesco sistema financeiro, que a cada dia se torna ainda maior e mais complexo, com a incorporação de novas modalidades de negócios, de novos modelos de instituições financeiras, além das exigências também crescentes no emprego de modernas tecnologias.
“Colocar o Brasil em linha com outras economias do mundo não só dá mais ferramentas ao Regulador, como também reduz a percepção de risco do País, garante mais estabilidade da política monetária e abre caminho para um sistema financeiro moderno e atual.
“Só com um Banco Central independente, fortalecido e competente, que esteja à altura de seus desafios, a população e o setor produtivo brasileiros poderão se beneficiar de um sistema financeiro saudável e sustentável, capaz de evitar crises que podem afetar severamente a economia nacional, a credibilidade do setor, e impor custos adicionais à sociedade.
“Febraban – Federação Brasileira de Bancos;
“Abac – Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios;
“ABBC – Associação de Bancos Brasileiros;
“ABBI – Associação Brasileira de Bancos Internacionais;
“Abracam – Associação Brasileira de Câmbio;
“ABCripto – Associação Brasileira de Criptoeconomia;
“ABECS – Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
“ABFintechs – Associação Brasileira de Fintechs;
“Abipag – Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos;
“Abranet – Associação Brasileira de Internet;
“Anef – Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras;
Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento;
“APIIMF – Associação para a Interoperabilidade das Infraestruturas do Mercado Financeiro; e
“Zetta – Associação que reúne empresas de tecnologia atuantes no mercado financeiro e de pagamentos”.
