O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10/9) que investiga Karina Ferreira Gama, produtora do filme bolsonarista Dark Horse e ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG com a qual a prefeitura firmou um contrato — investigado pela Polícia Civil — para instalação de pontos de wi-fi.
A jornalistas, Nunes afirmou que o contrato “não tem nenhuma irregularidade”, e que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) “está acompanhando” o caso. O prefeito aproveitou, ainda, para atacar o ex-prefeito e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), dizendo que o contrato de wi-fi do petista era, sim, irregular.
“O nosso não tem nenhuma irregularidade. Obviamente, a gente faz o monitoramento contínuo. Como temos feito em qualquer contrato nosso, se aparecer alguma irregularidade, a Prefeitura vai agir de forma muito enérgica”, declarou Nunes.
O emedebista também negou quaisquer relações entre Karina Ferreira Gama, produtora do filme Dark Horse e ligada ao ICB, mas afirmou que a Prefeitura cumprirá qualquer decisão judicial — antes de autorizar a operação da PF nesta quinta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu dados da investigação em SP.
“Essa questão do filme e do Instituto, não tem relação nenhuma com o contrato que a Prefeitura tem de wi-fi.[…] Se for identificada alguma irregularidade, a Prefeitura vai tomar suas ações, mas não podemos nos antecipar e fazer um pré-julgamento. Não seria coerente, correto. Volto a falar, o contrato que a Prefeitura tem, não existe nenhuma irregularidade. Estamos pagando por um serviço que está sendo prestado”, acrescentou Nunes.
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Entenda a investigação
Em junho deste ano, a dona da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo Dark Horse, foi alvo da operação Operação Wi-Fi Livre por suspeitas de que parte da produção cinematográfica tenha sido financiada por contrato público firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo.
As autoridades apuram possíveis irregularidades no termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o ICB para a contratação e instalação de wi-fi em comunidades periféricas da cidade. As investigações apontaram uma série de falhas consideradas graves e indícios de conduta ilegal desde a origem da contratação.
- Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público para fornecimento de wi-fi teve a participação exclusiva do ICB, entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.
- Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
- Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.
- Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos, quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.
Conforme publicado pelo Metrópoles, a gestão Nunes informou ter pago R$ 114 milhões para a instalação e manutenção de pontos de Wi-Fi em um contrato com o ICB.
De acordo com os dados enviados pela prefeitura, os valores foram divididos entre R$ 68 milhões a título de instalação e manutenção de pontos entre julho de 2024 e junho de 2025. Depois, foram mais R$ 45 milhões para manutenção entre julho do ano passado e maio de 2026.
O Metrópoles procurou a defesa de Karina Gama e de Mario Frias e aguarda retorno.

