Todo candidato a deputado, ou quase todo, acredita que pode ser eleito. Mas os partidos, internamente, têm uma visão clara sobre quem se elege com tranquilidade, quem tende a se eleger, quem é competitivo e quem só faz parte da nominata para ajudar o partido ou promover seu nome. Emerson Rocha, candidato a deputado estadual preso nesta quinta-feira (20) por suspeita de lavar dinheiro para o PCC, estava os nomes que o Podemos acreditava que chegaria à Alesp.
Ainda que essa seja sua primeira eleição como candidato, Emerson já tinha um trabalho político forte em Cotia, cidade de 183 mil eleitores na Região Metropolitana de São Paulo. Apontado como líder social, elegeu cinco vereadores de seu grupo – três deles foram alvo da operação da Polícia Civil nesta quinta-feira – e, ao lançar sua pré-candidatura a deputado estadual, recebeu apoio tanto do ex-prefeito Rogério Franco (PL) quando do atual, Welington Formiga (PDT).
A aposta em Emerson era tanta que a campanha começou com Emerson fazendo dobrada com três fortes candidatos a deputado federal: Renata Abreu, que é presidente nacional do Podemos e era sua dobrada oficial (para quem ele pedia votos), Igor Soares (PSD), que foi reeleito prefeito de Itapevi com 98% dos votos válidos em 2020 e é uma forte liderança regional, e Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu Guaçu diversas vezes associado ao PCC.
Maior vencedor da última janela eleitoral, com 14 deputados federais entrando no partido (e só três saídas), o Podemos é especialmente forte no oeste da Região Metropolitana de São Paulo – o partido tem como base o Centro de Tradições Nordestinas (CTN), controlado pela família Abreu, na zona Oeste de São Paulo.
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Em 2024, fez os prefeitos de Itapevi (Deco), Osasco (Gerson Pessoa) e Vargem Grande Paulista (Piter Santos) e ajudou a eleger diversos prefeitos da região. Construiu uma aliança tão forte que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) escolheu o lançamento da candidatura de Rogério Lins (Podemos) a deputado estadual, em Osasco, para abrir sua campanha.
Foi essa aliança que permitiu ao Podemos apoiar Rocha como dobrada de líderes políticos de outros partidos. Em Embu das Artes, por exemplo, o ex-prefeito Ney Santos, candidato a deputado federal, faz dobrada tanto com a irmã Ely Santos, que é deputada federal e agora vai concorrer à Alesp pelo Republicanos, quanto com Emerson.
Como revelou o Metrópoles, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) pede a impugnação de registro de candidatura de Ney Santos por seu “extenso histórico criminal” de Santos e as “suspeitas de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”. Ele é réu em ações ligadas ao tráfico de drogas, envolvendo movimentações patrimoniais irregulares e o uso de postos de gasolina para lavar dinheiro.
“Toda eleição eles vêm com essas matérias negativas tentando nos atrapalhar e nos difamar. Mas o povo me deu varas vitórias. Me elegeram para a prefeitura duas vezes, minha irmã foi eleita deputada com quase 100 mil votos, nosso prefeito foi o mais votado da região. Se todas as pessoas que respondem inquérito não pudesse ser candidatos, Lula não seria candidato, Flávio não poderia. Eu sou ficha limpa”, afirmou em vídeo no Instagram.
No último dia 8, Ney reuniu mais de 2 mil pessoas para seu “encontro de líderes”, com políticos de várias regiões do estado. Entre os participantes, conforme vídeo publicado no Instagram do ex-prefeito, estava Yago Bezerra, um dos vereadores de Cotia que também foram alvo da operação desta quinta.
Em nota, o Podemos Nacional afirmou que acompanha o desenrolar das investigações e que aguarda informações das autoridades para decidir quais serão as medidas internas tomadas, “respeitando todos os trâmites e direitos individuais de defesa”.

