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Mendonça manda derrubar vídeo com IA que liga Flávio a Vorcaro

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Mendonça manda derrubar vídeo com IA que liga Flávio a Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quinta-feira (20/8) a derrubada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associa o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a decisão, que será submetida a referendo do plenário virtual do TSE, a publicação deverá ser removida do Instagram em até 24 horas após a intimação.

A medida foi tomada em uma ação contra o responsável pelo perfil “@brasilsatiradopoder”, que ainda não foi identificado. O vídeo foi publicado em 14 de agosto e usa imagens criadas por inteligência artificial para colocar Flávio e Vorcaro em situações que não ocorreram.

A montagem, em formato de paródia musical, mostra representações digitais dos dois abraçados e sorridentes, em cenários luxuosos, enrolados na bandeira dos Estados Unidos e durante uma passeata.

Em uma das sequências, apoiadores aparecem com cabeças de gado e roupas nas cores verde e amarela. Outras cenas mostram Flávio em situações relacionadas ao recebimento ou transporte de dinheiro.

O vídeo também reproduz elementos da identidade visual da campanha de Flávio. A montagem usa o “V” estilizado adotado pela candidatura, inspirado na caligrafia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para criar a expressão “V de Vorcaro”.

Em outros trechos, a representação de Flávio aparece com cartazes que imitam peças da campanha, mas substituem o nome do candidato pela frase “Flávio do Vorcaro”, mantendo o “V” em destaque.

A publicação foi divulgada com a legenda “V de Vorcaro! A sátira musical que está dando o que falar!”. A trilha também faz referências à campanha de Flávio, a Vorcaro e ao suposto recebimento de valores em dinheiro.

Uso irregular de IA

Ao analisar o pedido da campanha de Flávio, Mendonça considerou que há indícios de uso irregular de inteligência artificial.

Segundo o ministro, as imagens reproduzem de forma realista a aparência de Flávio e o colocam em cenários e situações inexistentes. Em uma análise inicial, ele entendeu que o conteúdo pode ser enquadrado como deepfake.

Mendonça afirmou ainda que apresentar o vídeo como sátira não afasta, por si só, a aplicação das regras eleitorais sobre o uso de inteligência artificial. A decisão também aponta que a publicação não informava, de forma explícita e destacada, que as imagens haviam sido produzidas ou manipuladas com IA.

Além de mandar retirar o conteúdo, o ministro proibiu o responsável pelo perfil de republicar, reproduzir, compartilhar ou impulsionar o mesmo vídeo em outras contas ou plataformas sob seu controle. O descumprimento poderá resultar em multa diária.

Trecho de vídeo que foi alvo de decisão de André Mendonça
Trecho de vídeo que foi alvo de decisão de André Mendonça

Mendonça também determinou que a Meta forneça dados cadastrais que permitam identificar o responsável pelo perfil e preserve registros de acesso, metadados e outras informações técnicas relacionadas à publicação.

A decisão alcançou ainda uma campanha de financiamento coletivo intitulada “Ajude a manter vivo o canal Brasil Sátira do Poder”. A plataforma Vakinha deverá informar os dados do criador e do beneficiário da arrecadação, como nome, CPF ou CNPJ.

O ministro, porém, não autorizou o acesso aos dados dos doadores nem à movimentação financeira da campanha. Também negou um pedido da campanha de Flávio para obter informações sobre monetização, receitas e outros dados econômicos do perfil.

André Mendonça também deixou para uma etapa posterior do processo a análise sobre eventual propaganda eleitoral antecipada negativa e outras punições pedidas na ação.