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Pontal-Thopen pede recuperação judicial logo após prometer faturamento bilionário

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Pontal-Thopen pede recuperação judicial logo após prometer faturamento bilionário

De grande aposta para a expansão e consolidação da energia solar no Brasil a mais uma empresa afogada em dívidas. O grupo Pontal-Thopen entrou para o rol de companhias que acionaram a Justiça em busca de socorro contra credores no início desta semana. No pedido de recuperação judicial, a empresa apontou um “quadro agudo de escassez de liquidez” e reportou uma dívida de R$ 4,56 bilhões.

Uma das justificativas do grupo é, justamente, a falta de tempo. De acordo com a empresa, parte das usinas não entrou em operação comercial ou começou a funcionar há pouco, enquanto as parcelas dos financiamentos usados para construí-las já venciam. Algumas ficaram prontas, mas seguem inativas à espera das distribuidoras.

O pedido de recuperação judicial interrompeu de forma abrupta as notícias positivas sobre Pontal-Thopen em veículos especializados. Na edição de junho deste ano da revista Forbes Brasil, um dos diretores da companhia afirmou que projetava faturamento de R$ 1 bilhão em 2026, além de crescimento de 100% em relação ao ano passado. Até então, a Pontal-Thopen acumulava captações bem-sucedidas.

A recuperação judicial expôs, também, uma grande disputa societária. Em março de 2025 a companhia passou por uma mudança de comando. Após venderem sua participação acionária, saíram o Grupo RZK, da família Rezek, e a gestora Nova Milano, de Alexandre Grendene, cofundador da fábrica de sapatos. Entrou a Pontal, uma sociedade controlada pela gestora inglesa Denham Capital.

No pedido de recuperação judicial, a atual gestão afirma que os antigos controladores contraíram empréstimos sem terem condições de arcar com os pagamentos nos prazos estabelecidos, utilizaram aportes para quitar dívidas anteriores ao invés de aplicarem em novos projetos e de omitir a real situação da companhia. Os antigos gestores negam.

A situação econômica do país não ficou de fora. Os advogados argumentaram que o cenário de juros altos dificultou novas captações e inviabilizou financiamentos de longo prazo para fazer frente às dívidas em um prazo compatível com a necessidade da empresa — que, lembrando, ainda não conseguiu colocar parte das usinas em operação.

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