Pela primeira vez na história, seis adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação Casa chegaram às semifinais da 18° Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), promovida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O tema desta edição é “Mulheres na Ciência”, com discussões sobre escravidão e música na história do país.
Os jovens dos Casa Terra Nova (Itaquaquecetuba), na Grande São Paulo, e Caraguatatuba, no litoral, compõem duas equipes de três participantes cada. Os grupos se classificaram à Fase 5 após enfrentarem cinco fases online da Olimpíada, dedicadas à leitura de documentos, análise de fontes históricas e resolução de tarefas investigativas.






Segundo a fundação, o sucesso dos adolescentes exigiu cerca de 40 horas de estudos, debates e trabalho coletivo. O professor responsável preparou o grupo com conteúdos, debates e análise de documentos semelhantes aos utilizados na competição, o que influenciou colegas e estimulou conversas mais amplas sobre a interpretação histórica.
O jovem Matheus (nome fictício), do Casa Terra Nova, afirma que a experiência despertou um interesse que vai além da competição. “Foi muito diferente. Eu sempre gostei desta matéria, principalmente pelos temas abordados. Descobri que gosto muito de história e agora meu interesse aumentou. Quero ler mais sobre todos os assuntos relacionados”, conta ele.
Para os seis adolescentes, essa é a primeira experiência em uma competição acadêmica nacional. Eles figuram entre as cerca de 9,5 mil equipes classificadas em todo o país, de um total superior a 64 mil inscritas.
O presidente da Fundação Casa, Acacio Miranda, avalia que o desempenho dos jovens revela a força do trabalho pedagógico realizado nos centros socioeducativos.
“Quando um adolescente chega à semifinal de uma olimpíada nacional, ele passa a se enxergar de outro modo: como alguém capaz de estudar, argumentar, pesquisar e produzir conhecimento. Esse resultado mostra que a educação, quando levada a sério dentro da socioeducação, abre horizontes concretos e ajuda a construir pertencimento, autoestima e projeto de vida”, afirma.
A Fase 6 da ONHB, etapa presencial da competição, está prevista para o fim de agosto, no campus da Unicamp, em Campinas.
Evolução do índice de aprendizagem na Fundação Casa
O presidente da Fundação Casa acredita que os bons resultados na Olimpíada de História dialogam com a evolução dos indicadores educacionais da instituição. No fim de 2025, a fundação registrou a menor taxa média de reincidência desde 2016, com 20,6%.
Neste ano, a média se mantém em torno de 20,4%, em um movimento associado à ampliação da escolarização, da formação profissional e do acompanhamento individualizado. No mesmo período, o índice de evolução da aprendizagem entre adolescentes em processo de alfabetização passou de 44,68%, em 2023, para 77,11%, em 2025.
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Em 2026, mais de 9 mil certificados em cursos profissionalizantes já foram emitidos e o índice de aprendizagem subiu para 81,33%.
“Esses dados mostram que investir em educação dentro da socioeducação não é apenas garantir aprovação em olimpíadas e vestibulares, mas transformar, de forma consistente, as trajetórias e os futuros dos jovens”, conclui o presidente da Fundação Casa, Acacio Miranda.

