Fábio Garcia, deputado federal e candidato a vice-governador de Mato Grosso pelo União Brasil, teve seus sigilos fiscal e bancário quebrados por determinação do ministro Flávio Dino, em decisão que embasou a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6).
A ordem, que também atinge o pai, a mãe e um tio do deputado, foi assinada no último dia 24 de julho, mas só veio à tona nesta quinta-feira (6), com a operação que mirou, entre outros, também o ex-governador Mauro Mendes, outro político do União Brasil, que foi aprovado pelo partido como candidato ao Senado.
A chapa lançada nesta semana terá Otaviano Pivetta (Republicanos) como candidato à reeleição – ele era vice e virou governador quando Mendes renunciou para concorrer ao Senado – e Garcia como vice. Os partidos, porém, têm até o dia 15 de agosto para apresentar o registro das candidaturas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e qualquer um dos indicados pode renunciar ao pleito.
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A Federação União Progressista chegou a promover uma eleição interna em seu diretório em Mato Grosso para discutir se aderia à chapa de Pivetta ou se lançava o senador Jayme Campos ao Senado. A primeira opção venceu por 30 a 19, e Garcia, que foi chefe da Casa Civil de Mauro Mendes, aceitou ser o candidato a vice-governador.
Sentindo-se traído, Campos anunciou apoio às candidaturas da deputada federal Janaina Riva (MDB) ao Senado e do senador Wellington Fagundes (PL) ao governo do estado.
A Operação Heritage foi solicitada pela Polícia Federal e aponta que o governo de Mato Grosso desistiu de uma disputa com a telefônica Oi e firmou acordo para pagar R$ 308 milhões a um escritório de advocacia que havia comprado os direitos creditórios pouco antes por R$ 80 milhões. Esse escritório, do hoje desembargador Ricardo Almeida, depois repassou o dinheiro para dois fundos da Master Corretora, que, por sua vez, investiram em empresas e fundos ligados a Fábio Garcia e Mauro Mendes, segundo a PF. Garcia, à época, era chefe da Casa Civil.
A operação foi descoberta e denunciada pelo ex-governador Pedro Taques, que é candidato ao Senado pelo PSB e formalizou a denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR) em janeiro. Ele compõe chapa com Natasha Slhessarenko (PSD) como candidata ao governo, Diogo Botelho (PDT) a vice, e o ex-ministro Carlos Fávaro (PSD) como outro candidato ao Senado no palanque do presidente Lula (PT) em Mato Grosso.

