As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas online, as chamadas “bets”, ao longo de 2025, segundo estudo divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). O valor corresponde à diferença entre o total apostado pelos usuários e o montante devolvido pelas plataformas na forma de prêmios.
O levantamento, elaborado em parceria com Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), mostra ainda que o volume financeiro movimentado pelo setor foi superior às perdas líquidas, cerca de R$ 350,97 bilhões circularam via transferências, principalmente por Pix, ao longo do ano.
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Os dados indicam que as apostas passaram a ter peso relevante no orçamento das famílias brasileiras. De acordo com o estudo, as perdas equivalem a cerca de 0,68% da renda nacional disponível bruta das famílias, o que reforça o impacto do avanço desse mercado sobre o consumo e a capacidade de poupança.
O crescimento das bets ocorre em meio à consolidação do marco regulatório do setor. A exploração das apostas de quota fixa foi regulamentada no Brasil em 2023, e passou a operar de forma estruturada a partir de 2025, com empresas autorizadas e fiscalização do Ministério da Fazenda.
A rápida expansão do mercado, combinada à facilidade de acesso por aplicativos e ao uso de meios de pagamento instantâneos, como o Pix, contribuiu para o aumento do volume apostado. O modelo, no entanto, também amplia os riscos de endividamento e perda de renda, especialmente entre famílias de menor poder aquisitivo.
Dados do levantamento indicam que houve redução nas apostas após a proibição do uso de recursos de programas sociais, como o Bolsa Família, o que sugere forte participação de famílias de baixa renda nesse mercado.
O avanço das apostas também tem mobilizado o debate público e político. Nos últimos anos, o Congresso Nacional chegou a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os impactos do setor sobre as finanças das famílias e possíveis irregularidades na atuação de plataformas digitais.
Com a expansão do setor e sua crescente relevância econômica, o desafio das autoridades passa a ser equilibrar arrecadação, regulação e proteção ao consumidor, em um cenário em que as apostas já disputam espaço com outros gastos no orçamento das famílias brasileiras.

