Quando o assunto é “brochar”, a maioria das pessoas logo pensa nos homens. A verdade, porém, é que as mulheres também podem perder a excitação, interromper a resposta do corpo ou simplesmente deixar de sentir vontade no meio do ato. A diferença, nesse caso, é que, como os sinais femininos são menos visíveis, o assunto costuma ser cercado de silêncio e incompreensão.
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Entenda o assunto
Ao Metrópoles, o neurocientista Eduardo Omeltech, especialista em sexologia, destaca que a resposta sexual feminina depende dos mesmos mecanismos fisiológicos básicos da masculina. “O clitóris é tecido erétil, a vagina lubrifica e o fluxo sanguíneo aumenta. Tudo isso obedece ao sistema nervoso parassimpático, o ramo do relaxamento”, explica.






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South_agency/Getty ImagesOu seja, quando esse estado de segurança desaparece, o organismo muda de funcionamento. Situações de estresse, medo, pressão ou autocrítica ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de alerta.
Com isso, o fluxo sanguíneo é direcionado para outras partes do corpo, a lubrificação diminui e a excitação cai de forma repentina.
“Isso tem nome na sexologia, transtorno da excitação sexual feminina. Mas o nome que importa é outro. É o corpo dizendo que ali não tem segurança suficiente pra ele se abrir. ‘Brochar’ nunca é falta de amor. É neurofisiologia protegendo alguém de uma ameaça que só o inconsciente enxergou”, comenta o especialista.
Nem tudo é sobre o sexo
Ao contrário do que muitos imaginam, a perda do tesão nem sempre está ligada ao parceiro ou ao que acontece durante o sexo. Muitas vezes, o principal obstáculo está nos pensamentos que ocupam a mente naquele momento. “O maior assassino do desejo feminino não é a falta de atração, é o excesso de vigilância”, afirma Omeltech.

Por conta disso, fatores como carga mental, conflitos não resolvidos, ressentimentos, insegurança e a sensação de obrigação podem comprometer o desejo. Para o especialista, o contexto emocional tem papel decisivo na sexualidade feminina e influencia diretamente a resposta do corpo.
O alerta, nesse caso, surge quando isso se torna frequente ou provoca sofrimento. Nessas circunstâncias, diferentes questões podem estar envolvidas, desde alterações hormonais até feitos colaterais de medicamentos, especialmente alguns antidepressivos.
“O corpo guarda memória do que doeu e, às vezes, ele fecha no presente pra proteger de uma dor antiga que a mente consciente nem acessa”, chama atenção.

O papel do parceiro
De acordo com o neurocientista, enquanto parceiro o pior caminho é interpretar a perda de desejo como rejeição pessoal — já que cobranças, frustrações e pressões tendem a aumentar ainda mais o bloqueio. Em vez de exigir explicações ou insistir na continuidade, o ideal é abrir espaço para o diálogo e buscar compreender o que está acontecendo.
Se a dificuldade se repetir com frequência, a recomendação é procurar ajuda profissional para investigar possíveis causas físicas, hormonais e emocionais. “Porque desejo que some com frequência quase nunca é sobre sexo. É sobre o que ainda não foi dito, sentido ou curado, entre os dois ou dentro de um dos dois”, conclui.

