Se alergias alimentares exigem cuidados em adultos, a situação é ainda mais complicada em bebês e crianças. Nos pequenos, o sistema de defesa só alcança um nível de estabilidade parcial importante por volta dos quatro ou cinco anos de idade.
De acordo com especialistas, as alergias em bebês costumam estar associadas, na maioria das vezes, ao histórico genético familiar, mas também podem ser desencadeadas por outros fatores, como hábitos alimentares, de higiene e o uso de medicações, especialmente nos primeiros meses de vida.
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O médico pediatra Iago Vinícius Gonçales Siqueira Oliveira, do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que, quando os familiares apresentam casos de alergias, seja alimentar, atópica, rinite ou asma, existe uma predisposição genética da criança que faz o sistema imunológico reagir de forma exagerada a proteínas que normalmente seriam inofensivas.
“Embora essas manifestações variem de criança para criança e não ocorram com todas, os principais fatores de risco envolvem o histórico familiar de doenças alérgicas”, explica o médico.
Oliveira lembra que, mesmo sendo um dos principais fatores, a genética não explica tudo. O desenvolvimento da alergia também depende de outras causas, como a microbiota intestinal e as exposições que a criança enfrenta no ambiente nos primeiros anos de vida.
“Os primeiros meses são fundamentais para o amadurecimento do sistema imunológico da criança. A microbiota intestinal desempenha papel central e sofre influência direta do tipo de parto, da medicação e da alimentação. Hoje sabemos também que não há benefício em adiar a introdução de alimentos como ovo e amendoim. Quando oferecidos na idade adequada e de forma segura, eles podem favorecer o desenvolvimento da tolerância imunológica”, destaca o médico.
O surgimento de alergias na infância costuma seguir um padrão bastante conhecido. As crianças podem apresentar dermatite atópica nos primeiros meses de vida, posteriormente desenvolver alergia alimentar e, mais tarde, outras manifestações alérgicas como asma ou rinite.
Segundo ele, as recomendações atuais enfatizam uma alimentação saudável na gestação — evitando restrições alimentares sem indicação médica —, o incentivo ao aleitamento materno e o início da introdução alimentar por volta dos seis meses de idade.
As alergias podem ficar incubadas e se manifestar em outro momento?
A médica alergista Raquel Letícia Tavares Alves, imunologista adulto e infantil dos Hospitais Samaritano Higienópolis e Nove de Julho, da Rede Américas, em São Paulo, esclarece que as alergias podem, sim, permanecer “guardadas” por um tempo e se manifestar em outro momento.
Ela explica que esse fenômeno é chamado de marcha atópica, que é a evolução natural das alergias ao longo da vida.
“Hoje em dia, a gente sabe que um dos principais fatores de risco é a existência da dermatite atópica, principalmente quando ela é moderada ou grave. Esse tipo de alergia quebra a barreira de proteção da pele e faz com que o alimento muitas vezes influencie o sistema imunológico. Isso aumenta muito a chance de sensibilização e do desenvolvimento de uma alergia alimentar”, acrescenta.
Raquel diz que há outro fator que pode desencadear alergia ao longo dos anos: a sensibilização alérgica, que pode aparecer em qualquer momento, idade ou fase da vida. Ela esclarece que a sensibilidade a algo ou a alergia pode simplesmente aparecer do nada.
“Isso muda ao longo da vida e a gente pode passar anos consumindo um alimento ou tendo contato, por exemplo, com um pet e, de uma hora para outra, o sistema imunológico resolve reagir contra isso. Como resposta, ele desencadeia a alergia”, finaliza.

