A rua João de Barros, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, é conhecida popularmente como “Rua do Samba” desde 1980, devido à forte presença de rodas musicais e a encontros ligados ao estilo. A via teve papel essencial na consolidação do bairro como um dos principais redutos da cultura negra e do samba paulistano. Por isso, nesta terça-feira (28/7), recebeu as placas com seu novo nome — agora, não apenas o apelido popular: Rua do Samba.
O projeto de lei foi apresentado pela Bancada Feminista do PSol em conjunto com rodas de samba e movimentos sociais do bairro, e sancionado pela Prefeitura de São Paulo. A troca das placas foi realizada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
A proposta de mudança revive a conexão histórica da Barra Funda com o desenvolvimento do samba em São Paulo. O bairro abriga o Largo da Banana, onde nasceu, em 1914, o primeiro cordão carnavalesco da cidade e que, posteriormente, deu origem à escola de samba Camisa Verde e Branco. Apesar dos processos de expulsão da população negra da região, o bairro permaneceu resistindo às tentativas de apagamento cultural, preservando tradições populares.
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A alteração não apenas reconhece um patrimônio imaterial, mas como resolve uma questão relacionada à legislação municipal, uma vez que havia homonímia entre a Rua João de Barros, na Barra Funda, e outra via com o mesmo nome na cidade.
“A Rua do Samba já existe na memória da Barra Funda e o reconhecimento oficial é fundamental. São Paulo também precisa homenagear sua cultura popular e a contribuição da população negra para a construção da cidade”, afirma Silvia Ferraro, covereadora da Bancada Feminista.

