Em meio às tensões entre os governos, o porta-voz da Presidência da Argentina, Adrian Ravier, minimizou nesta terça-feira (28/7) a crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires, provocada pelos ataques do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo ele, “sempre houve insultos de ambos os lados”, mas as divergências políticas nunca haviam sido levadas ao plano diplomático.
“É evidente que sempre houve insultos de ambos os lados, são diferenças ideológicas, são diferenças políticas, mas pelo menos a Argentina nunca levou essas diferenças para o nível diplomático”, afirmou Ravier.




Porta-voz de Javier Milei, Adrian Ravier
Reprodução/Redes SociaisFlávio Bolsonaro e Javier Milei
Reprodução/Redes sociaisGoverno Milei não pretende se desculpar de ataques a Lula, diz jornal
Tomas Cuesta/Getty ImagesEntenda a crise
- A declaração ocorre após a visita de Milei a São Paulo, onde participou da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
- No evento, o presidente argentino fez uma série de ataques ao governo brasileiro, chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”, afirmou que o Brasil vive uma “perseguição política”, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
- O argentino ainda declarou que apenas Flávio Bolsonaro “pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros”.
- Durante o discurso, Milei também incentivou apoiadores a entoarem o coro de “Lula ladrão” e voltou a atacar Moraes por impedir uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
- Ao se referir ao magistrado, chamou-o de “lixo careca”.
- Na segunda-feira (27/7), Lula reagiu com ironia às declarações do argentino.
- Ao ser questionado sobre os ataques, respondeu: “Eu? Quem é esse cara?”.
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Após as declarações de Milei, o governo brasileiro adotou medidas no campo diplomático. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília e chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos.
Segundo comunicado do Itamaraty, o chanceler Mauro Vieira transmitiu ao representante argentino a “repulsa do governo brasileiro aos impropérios emitidos pelo presidente Javier Milei durante a sua visita privada a São Paulo”.
A chancelaria afirmou ainda que não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro que, em território brasileiro, tenha dirigido ofensas ao presidente da República, às instituições democráticas, ao Poder Judiciário e ao povo brasileiro.

