Pequenas Criaturas, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23/7), retrata a história de centenas de famílias transferidas para Brasília quando a capital ainda construía a própria identidade. Além dos conflitos familiares vividos por uma mãe recém-chegada e os dois filhos, o longa conduz o público por uma viagem nostálgica à cidade na década de 1980.
A primeira cena traduz com precisão a atmosfera da obra. Em frente ao Aeroporto de Brasília, reconstruído no Brasília Palace para reproduzir a época, Helena (Carolina Dieckmann) se despede do marido, que viaja a trabalho poucos dias após a mudança da família. Logo nos primeiros minutos, fica claro que a capital retratada é bem diferente da que existe hoje.

Atenção: este texto contém spoilers do filme!
Com o marido distante, Helena tenta se adaptar à nova rotina. Ao mesmo tempo, o filho mais velho, André (Théo Medon), vive as primeiras paixões e passa a perceber as crescentes tensões entre os pais. Já o caçula, Dudu (Lorenzo Mello), não larga a máscara de Planeta dos Macacos (1968) e transforma o cotidiano em uma sequência de aventuras.
O drama da família se mistura à paisagem brasiliense em diferentes momentos. Um deles acontece no tradicional Restaurante Roma, em funcionamento desde 1960, na Asa Sul. Durante a pré-estreia em Brasília, na última terça-feira (21/7), a referência despertou a memória do público. “Você lembra?”, ecoou uma espectadora nas sombras do Cine Brasília.

A bordo de uma Brasília Amarela, ao retornar para casa, em uma das recém-inauguradas superquadras, Helena decide telefonar para o quarto onde o marido está hospedado. A ligação, porém, é atendida por outra mulher. A partir desse momento, ela desvia o foco da desconfiança e passa a dedicar atenção à cadela Cacau, atropelada em uma das vias expressas do Distrito Federal.
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A história também carrega marcas da infância da diretora Anne Pinheiro Guimarães. Filha de um diplomata, ela recriou a Brasília que conheceu nos primeiros anos de vida, hoje transformada pelo tempo. Para isso, gravou em regiões mais afastadas, capazes de representar áreas centrais, como a via L2, no Plano Piloto.
“A Brasília de 1986 vive na Brasília de hoje em alguns pontos, em alguns lugares. Não é exatamente como aqueles de 1986, como a L2 não é. A gente teve que procurar lugares um pouco mais afastados que lembrassem o estado de espírito que era Brasília de 1986, mas a vantagem é que a cidade é linda e ela na verdade abraça”, disse a diretora.







Pequenas Criaturas leva às telas a capital federal em uma fase de transformação e construção de identidade
DivulgaçãoPequenas Criaturas retrata os desafios de uma família recém-chegada à Brasília dos anos 1980
DivulgaçãoAmbientado em 1986, Pequenas Criaturas recria cenários marcantes da capital federal
DivulgaçãoA relação entre mãe e filhos conduz a narrativa de Pequenas Criaturas, ambientada na Brasília de 1986
DivulgaçãoEntre conflitos familiares e descobertas, Pequenas Criaturas transforma Brasília em parte da narrativa
DivulgaçãoCarolina Dieckmann interpreta Helena em Pequenas Criaturas, filme ambientado na Brasília de 1986
DivulgaçãoO interior dos blocos residenciais, onde os irmãos se aventuram, também ganham destaque. O Congresso Nacional, a Praça dos Três Poderes, o Eixão, o Nicolândia as tesourinhas e outros cartões-postais surgem como personagens silenciosos, ajudando a contar a história dos novos habitantes de uma capital que dava os primeiros passos.
O desfecho acontece no Cine Drive-In, inaugurado em 1973. O espaço reúne memória, atmosfera oitentista e simboliza a união da família ao fim da narrativa. Em meio a uma Brasília ampla, fria e ainda pouco ocupada, os personagens descobrem que a nova capital talvez não fosse tão desinteressante quanto parecia.

Ao chegar ao Cine Brasília, inaugurado um dia após a fundação da capital, em 1960, Carolina Dieckmann revelou estar com o “coração acelerado” por apresentar o filme ao público da cidade que recebeu as gravações. “A gente tentou ser fiel ao que era Brasília de 1986, não é a Brasília de agora. Mas eu acho que a maioria das pessoas que vai assistir o filme tem alguma referência dos anos 80 e acho que vai se identificar”, afirmou a atriz.

