O percentual de endividamento das famílias estabilizou em 81,6% em junho deste ano, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta terça-feira (14/7). O número é o maior da série histórica.
Nas faixas de renda que são alcançadas pelo programa Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0, o endividamento cresceu.
Em comparação com junho de 2025, o endividamento apresenta um crescimento de 3,2 pontos percentuais — era de 78,4% há um ano. Em relação a maio deste ano, houve estabilidade, ou seja, o índice era de 81,6%.
O índice de endividamento consiste nas famílias que relataram ter dívidas a vencer em cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
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O endividamento recorde das famílias está acompanhado de estabilidade na inadimplência. O índice de junho ficou igual ao de maio: 29,9% dos entrevistados. A taxa é a maior desde novembro do ano passado (30%).
Embora tenha sido registrada estabilidade no endividamento e na inadimplência de maio para junho, houve uma leve redução no percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso: 12,2% ante 12,3% do mês passado.
A pesquisa mostra que as faixas de renda de 0 a 3 salários mínimos e a de 3 a 5 rendimentos mínimos apresentaram alta. É justamente esta faixa foco do Desenrola 2.0. Só a parcela com rendimento de cinco a dez salários mínimos teve retração no indicador.
Endividamento por faixa de renda:
- até 3 salários mínimos: 84,7% (+0,1 ponto percentual);
- 3 a 5 salários mínimos: 83,7% (+ 0,6 ponto percentual);
- 5 a 10 salários mínimos: 78,3% (- 1,3 ponto percentual);
- renda maior do que 10 salários mínimos: 71,4% (sem variação).
Desenrola
O Desenrola 2.0 foi lançado no dia 4 de maio deste ano e começou a operar no dia seguinte. A iniciativa terá duração total de 90 dias.
Critérios Desenrola Famílias
- Público-alvo: brasileiros com renda até 5 salários mínimos (R$ 8.105).
- Dívidas elegíveis: o programa permite renegociar dívidas (cartão de crédito, cheque especial e empréstimos) que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, feitas até janeiro de 2026.
- Forma de acesso: canais oficiais dos bancos.
Com o programa, os beneficiários conseguiram renegociar dívidas com um desconto médio de 80%. De acordo com o Ministério da Fazenda, até os últimos dias de junho, mais de 4,9 milhões de pessoas deixaram os cadastros de inadimplência.

