O governo federal decidiu expulsar do Brasil o russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov, apontado pela Polícia Federal (PF) e pelo FBI como um agente de inteligência da Rússia que utilizava uma identidade brasileira falsa para atuar no exterior. A decisão administrativa foi publicada no Diário Oficial da União dessa segunda-feira (7/7).
A expulsão, no entanto, só será executada após o cumprimento da pena imposta pela Justiça brasileira ou caso haja autorização judicial para sua liberação antecipada. Além da retirada do país, Tcherkasov ficará proibido de retornar ao Brasil por 30 anos.
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Atualmente, ele cumpre pena de cinco anos de prisão em um presídio federal de Brasília por falsidade ideológica. Segundo as investigações, o russo utilizava o nome falso de Victor Muller Ferreira, identidade que lhe permitiu obter documentos brasileiros, como passaporte, título de eleitor, carteira de habilitação e certificado de reservista.
De acordo com a Polícia Federal e o FBI, Tcherkasov viveu no Brasil desde 2010 e utilizava o país como base para construir uma identidade legítima antes de atuar em missões de inteligência no exterior. As investigações, contudo, não encontraram evidências de que ele tenha praticado espionagem contra o Estado brasileiro. Os alvos, segundo as autoridades, seriam os Estados Unidos e países europeus.
O caso ganhou repercussão internacional em abril de 2022, quando Tcherkasov foi detido na Holanda ao tentar ingressar no país para assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia. A inteligência holandesa concluiu que ele utilizava uma identidade brasileira fraudulenta e o deportou para o Brasil.
Posteriormente, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou o russo por atuar como agente estrangeiro sem registro, além de crimes relacionados à obtenção fraudulenta de visto e documentos. Segundo o FBI, ele integraria o grupo conhecido como “ilegais”, formado por agentes treinados para viver durante anos sob identidades falsas em outros países e obter informações estratégicas de interesse do governo russo.
Após sua prisão, a Rússia solicitou oficialmente a extradição de Tcherkasov, alegando que ele seria investigado por tráfico de drogas. A versão, porém, divergiu das conclusões das autoridades americanas, que o apontam como integrante da inteligência militar russa (GRU).
O pedido de extradição foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas dependia da conclusão das investigações no Brasil e da decisão final do Poder Executivo. Com a publicação da expulsão administrativa, a defesa do russo deverá provocar o STF para definir os próximos passos do caso. Tcherkasov nega até hoje ser agente de inteligência da Rússia.

