A nova fase da operação Unha e Carne, da Polícia Federal, atingiu em cheio a candidatura do ex-prefeito e aliado do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A coluna apurou que, entre integrantes da federação União Progressista e do PL, a avaliação é de que a candidatura de Márcio Canella, presidente do União Brasil no estado, ficou abalada após a ação da PF.




Prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), será candidato ao Senado no Rio em 2026
Reprodução/AlerjMárcio Canella e Flávio Bolsonaro
Nos bastidores, o diagnóstico é de que Canella já enfrentava resistência de uma ala da federação. Agora, interlocutores afirmam que sua permanência na disputa perdeu viabilidade, sobretudo após a Polícia Federal encontrar um fuzil em situação irregular com o ex-prefeito durante a operação, como mostrou o Metrópoles, na coluna de Mirelle Pinheiro.
Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão na sexta fase da operação, mas acabou preso em flagrante após os investigadores localizarem um fuzil calibre .556 no interior de um veículo de sua propriedade. Segundo a PF, a arma estava em situação irregular.
Com o desgaste, cresce dentro da federação a defesa do nome do ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o delegado Felipe Curi. A ideia é que ele deixe de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para entrar na corrida pelo governo do estado.
Além da troca de candidato, dirigentes da federação também passaram a defender o afastamento de Canella da presidência estadual do União Brasil.
A operação
Ao todo, a Polícia Federal cumpre 19 mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
Segundo a PF, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
De acordo com a corporação, a organização criminosa utilizava empresas do setor de combustíveis como plataforma para lavagem de dinheiro e contava ainda com a participação de agentes públicos.

