Com o Tesouro IPCA+ ainda pagando até 8% ao ano além da inflação, quem comprar o título e o levar até o vencimento já sabe qual será seu ganho bruto acima da inflação. Mas nem todo investidor leva em conta a variação decorrente do nível do IPCA no período, nem o quanto do rendimento vai ficar pelo caminho na forma de imposto (inclusive sobre a parcela que apenas repõe o poder de compra).
Para ilustrar diferentes cenários de inflação, uma simulação com R$ 10 mil em cinco hipóteses de IPCA mostra o tamanho desse efeito. O valor de resgate líquido vai de R$ 16.561 no cenário mais benigno a R$ 22.139 no mais adverso, uma diferença de 34%. No entanto, em poder de compra de hoje, os dois resultados praticamente se equivalem.
O impacto do IPCA sobre os retornos dos títulos de inflação voltaram a ganhar destaque após o dado de julho subir apenas 0,07%, o que levou o acumulado em 12 meses a 4,44% e o do ano a 3,44%, segundo o IBGE.
O investimento considerado é de R$ 10 mil, sem aporte mensais, no Tesouro IPCA+ 2032, título sem cupom, com prazo de seis anos. Os cálculos descontam o IR de 15%, alíquota válida para aplicações acima de dois anos, e a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano. A inflação é mantida constante ao longo de todo o período, e os valores são aproximados.
Os cinco níveis de IPCA são:
- 2%, que representa um cenário de desinflação mais rápida do que a projetada na curva de juros;
- 3%, correspondente ao centro da meta contínua;
- 4,5%, o teto da banda de tolerância;
- 6%, que é a inflação implícita na curva de juros, obtida da comparação entre o Prefixado 2032 e o indexado de mesmo ano;
- 7,5%, que representa um choque de preços que levaria a inflação acima do que o mercado já embute.
Já as taxas escolhidas são do fechamento de quarta-feira (12). Portanto, investidores já alocados devem considerar as taxas contratadas no momento da entrada.
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Veja a evolução da aplicação nos 5 cenários
| IPCA ao ano | Valor bruto | IR | Líquido | Em reais de hoje | Retorno real líquido |
|---|---|---|---|---|---|
| 2,0% | R$ 17.970 | R$ 1.196 | R$ 16.561 | R$ 14.705 | 6,64% |
| 3,0% | R$ 19.054 | R$ 1.358 | R$ 17.469 | R$ 14.630 | 6,55% |
| 4,5% | R$ 20.780 | R$ 1.617 | R$ 18.916 | R$ 14.525 | 6,42% |
| 6,0% | R$ 22.635 | R$ 1.895 | R$ 20.470 | R$ 14.431 | 6,30% |
| 7,5% | R$ 24.627 | R$ 2.194 | R$ 22.139 | R$ 14.345 | 6,20% |
É importante levar em conta o efeito do imposto, que quase dobra entre os extremos, de R$ 1.196 para R$ 2.194, porque o ganho nominal sobre o qual incide também engorda com a inflação. O investidor do cenário de 7,5% entrega quase R$ 1 mil a mais ao Fisco sem ter ficado mais rico por isso.
Por essa razão, o retorno real líquido cai de 6,64% para 6,20% ao ano conforme a inflação sobe. Nenhum dos dois chega aos 8,10% contratados, e a distância entre a taxa do Tesouro e o que sobra no final é maior quanto maior for a inflação. O padrão se repete nos vencimentos mais longos, ainda que com intensidade reduzida, já que a mordida do Leão é diluída ao longo do tempo.

Por que a taxa contratada é importante
A simulação mostra a importância de olhar para a taxa da contratação: quanto maior, melhor será a capacidade do Tesouro IPCA+ proteger o poder de compra do investidor. E elas estão atualmente acima da média histórica. Em relatório, o Inter aponta que taxas reais acima de 7,5% ao ano só apareceram em 2015, 2016 e 2008, e que o prêmio médio das NTN-Bs de 5 a 10 anos fica perto de 6%.
A recomendação de especialistas é comprar sem a pretensão de acertar a inflação para ganhar, e sim carregar o papel até o fim para se proteger do risco de choque de preços – e não ser obrigado a apostar em nenhum desfecho.
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