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Espresso Outliers: O que está acontece com o crédito privado?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Espresso Outliers: O que está acontece com o crédito privado?

Entra ciclo, sai ciclo, e o investidor volta para a mesma pergunta: o que fazer com o crédito privado da carteira? Esse foi o tema do Espresso Outliers, apresentado pela analista de fundos da XP, Clara Sodré.

Nos últimos 12 meses, essa dúvida ganhou força diante de mudanças regulatórias e de um cenário global marcado por juros mais altos e maior volatilidade.

Antes de responder se faz sentido ou não ter crédito privado na carteira, vale entender o que está acontecendo com esse mercado no Brasil e no mundo.

O ponto de partida é a pandemia. A injeção maciça de liquidez, os juros próximos a zero nas economias desenvolvidas e os estímulos fiscais relevantes daquele período diminuíram os spreads – a diferença de taxa entre o título público e o investimento em crédito privado.

A consequência foi um ciclo inflacionário global, que exigiu uma mudança de regime monetário. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou as taxas de zero para patamares acima de 5%, elevando o custo de capital global.

Como resultado, o spread se abriu. “A abertura de spreads tende a ocorrer quando o mercado olha para o que está acontecendo no cenário macro e começa a precificar mais risco à frente, e exige um pouco mais de taxa para investir”, afirma Clara.

O crédito privado no Brasil tem características próprias?

Sim, e são características importantes. Clara alerta que o mercado brasileiro é mais concentrado, com forte dependência do risco soberano e alta correlação entre ativos: quando há um movimento fiscal relevante, o spread abre, o câmbio se move e a bolsa reage junto.

O mercado brasileiro de crédito privado também se diferencia do global por ter maior risco jurídico.

“Enquanto nas economias desenvolvidas o tempo médio de recuperação de crédito leva um ano, no Brasil é quatro anos. Aqui a taxa média de recuperação de crédito é de 18%, menor que os 80% registrados em países como Estados Unidos e Reino Unido. Isso implica maior incerteza e exige maiores taxas para você investir na renda fixa aqui”, afirma a analista.

Nos últimos anos, o crédito no Brasil foi impactado por uma combinação de fatores. Em 2023, mudanças regulatórias e alta demanda por renda fixa fecharam o spread. Mais recentemente, os juros mais pressionados e alguns eventos de crédito em grandes empresas tornaram o ambiente mais seletivo.

“O comportamento local é consistente com o cenário global. Ou seja, não é um estresse sistêmico, mas um mercado mais maduro e que tem revisões mais constantes de risco”, resume Clara.

Concentração ou diversificação: o que os dados mostram?

Para ilustrar o impacto das escolhas de alocação, Clara apresenta no episódio um gráfico com a performance de dezembro de 2024 a dezembro de 2025.

“Temos aqui duas carteiras com 5% de emissão em emissores que tiveram eventos de crédito recentemente, mostrando como a concentração, mesmo de 5%, de um ativo de crédito na sua carteira, pode gerar desvios relevantes de retorno”, afirma Clara.

“O ponto central não é só a ocorrência do evento, e sim como isso se transmite para o portfólio. Em estruturas mais concentradas, isso impacta diretamente no retorno de longo prazo. Já em carteiras mais pulverizadas, como de fundos, o efeito tende a ser administrável ao longo do tempo.”

Eventos de crédito recente, envolvendo grandes empresas, mostra a importância de uma carteira diversificada e seletiva. “O risco de crédito não desaparece, mas pode ser melhor administrado dentro da sua carteira, se estiver diversificada”, diz Clara.

“Em um ambiente marcado por juros mais altos, menor liquidez, maior necessidade de seletividade, a construção da sua carteira passa a ser tão importante quanto a escolha de emissores.”

Confira o novo relatório sobre crédito privado no Brasil e no mundo – e como o o investidor pode aproveitar as oportunidades.

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