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'Rei do Lixo' e outros 24 investigados são indiciados pela PF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
'Rei do Lixo' e outros 24 investigados são indiciados pela PF

O empresário baiano José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", e outras 24 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de integrar um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.



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O empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo". Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de atuar em frentes criminosas que envolvem fraudes em licitações, peculato, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro. O indiciamento marca um novo desdobramento da Operação Overclean, cujas diligências ocorreram entre o final de 2024 e janeiro deste ano.

Entre os nomes formalmente indiciados estão Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ambos ex-coordenadores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na Bahia.

Em contato com a imprensa, a defesa de Lucas Maciel informou que o ex-gestor ainda não havia sido oficialmente notificado sobre o indiciamento. As defesas dos demais investigados permanecem sem retorno até o momento.

Paralelamente, a PF informou que as apurações que envolvem os deputados federais Vicentinho Júnior (PSDB-TO), Elmar Nascimento (União-BA), Felix Mendonça Jr. (PDT-BA) e Dal Barreto (União-BA) continuam em andamento.

Linha do tempo: as fases da Operação Overclean

A ofensiva da Polícia Federal (PF) contra o esquema de corrupção estruturou-se em nove fases sucessivas:

1ª fase (10 de dezembro de 2024): deflagrada com o cumprimento de 59 mandados e 16 prisões na Bahia, São Paulo e Goiás. Servidores públicos facilitavam a vitória de empresas previamente selecionadas, que superfaturavam contratos vinculados principalmente ao DNOCS — cuja movimentação sob escrutínio alcançava a marca de R$ 1,4 bilhão. O "Rei do Lixo" e o vereador Francisquinho Nascimento (Campo Formoso) foram presos; este último flagrado jogando uma sacola com mais de R$ 220 mil pela janela.



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Sacola de dinheiro encontrada com vereador preso pela PF. Foto: Divulgação/Polícia Federal

2ª fase (13 dias após a primeira): resultou na prisão do então vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro (Republicanos), além de outras três pessoas.

3ª fase (3 de abril): teve como alvos novamente o empresário José Marcos Moura e Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador e então secretário de Educação de Belo Horizonte.

4ª fase (27 de junho): a polícia apreendeu R$ 3,2 milhões guardados em um armário pertencente ao ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT). Os prefeitos de Ibipitanga, Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (PT), e de Boquira, Alan Machado França (PSB), também entraram na mira das investigações.



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Mais de R$ 3 milhões foram encontrados em gavetas da casa de ex-prefeito na Bahia. Foto: Polícia Federal

5ª fase (17 de julho): concentrou-se no uso irregular de emendas parlamentares articuladas pelo deputado federal Elmar Nascimento. Cédulas de R$ 20 foram descobertas escondidas dentro de um sapato na residência de Francisquinho Nascimento. Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso e irmão do parlamentar, foi alvo da operação.

6ª fase (14 de outubro): visou o deputado federal Dal Barreto, que teve o aparelho celular apreendido no Aeroporto Internacional de Salvador.

7ª fase (16 de outubro): o prefeito de Riacho de Santana, Dr. João Vítor (PSD), foi afastado de suas funções, enquanto o prefeito de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parísio (MDB), foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

8ª fase (31 de outubro): cumpriu cinco mandados judiciais fora do estado da Bahia.

9ª fase: teve como principal investigado o deputado federal Felix Mendonça Jr. (PDT), alvo de nove mandados de busca e apreensão. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), houve o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias ligadas a pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Crimes imputados

Os investigados respondem penalmente, conforme a participação de cada um no esquema, pelos seguintes crimes:

  • organização criminosa;
  • corrupção ativa e passiva;
  • peculato;
  • fraude em licitações e contratos administrativos;
  • lavagem de dinheiro.
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