Um importante sistema de oleodutos na Arábia Saudita foi atingido por projéteis na quinta-feira (10), segundo duas autoridades dos Estados Unidos a par do assunto.
Uma análise preliminar indicou que estações de bombeamento, localizadas junto ao próprio oleoduto, foram atingidas, disse uma das autoridades americanas.
Imagens de satélite captadas nesta sexta-feira (11) parecem mostrar danos extensos causados por um incêndio em uma das estações de bombeamento, enquanto uma imagem de outra estação, feita na quinta-feira (10), mostrava um pequeno incêndio expelindo colunas de fumaça negra e densa.
Não ficou claro de imediato quem foi o responsável pelos ataques ou se trechos do próprio oleoduto sofreram danos, mas uma das autoridades afirmou que a instalação foi atingida por drones provenientes do Iraque. Também não se sabia de imediato quanto tempo levaria para reparar os danos causados pelo ataque, disseram as fontes.
O ataque sinaliza que os recursos petrolíferos do reino — e sua capacidade de exportá-los — enfrentam ameaças crescentes em meio à continuidade do conflito envolvendo o Irã.
Os ataques ao oleoduto ocorreram poucos dias depois dos Houthis, um grupo armado iemenita alinhado ao Irã, terem tomado uma cidade portuária estratégica no Iêmen, banhada pelo Mar Vermelho, o que poderia ameaçar ainda mais o transporte de energia na região.
Nesta semana, os preços do petróleo ultrapassaram a marca de 100 dólares o barril, em meio a fortes oscilações impulsionadas por eventos no Oriente Médio.
O governo da Arábia Saudita e a gigante estatal de petróleo Aramco não responderam aos pedidos de comentário. O Departamento de Estado e a Casa Branca também não responderam de imediato a solicitações da CNN. O Comando Central dos EUA recusou-se a comentar o incidente.
Autoridades americanas têm trabalhado na coleta de informações de inteligência sobre o incidente, segundo uma fonte a par da situação.
Embora a origem do ataque não estivesse clara, grupos de milícias alinhados ao Irã no Iraque já utilizaram drones no passado para atacar a Arábia Saudita — segundo Behnam Ben Taleblu, diretor sênior do programa sobre o Irã na Fundação para a Defesa das Democracias— e podem ter feito isso novamente.
A ação ocorreria em meio a uma estratégia iraniana mais ampla de utilizar seus grupos aliados para pressionar nações árabes a rejeitarem a presença de forças americanas na região.
No final de julho, o ministro da Defesa da Arábia Saudita, Khalid bin Salman, reuniu-se em Washington, D.C., com o presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente JD Vance.
O objetivo foi transmitir a avaliação do Reino sobre o conflito em curso entre os EUA e o Irã: a de que o Irã buscaria criar poder de barganha por meio de uma escalada de tensão e tentaria utilizar seus aliados remanescentes — milícias no Iraque e os Houthis — para esse fim, disseram fontes à CNN.
Satélites detectaram nove grandes incêndios próximos ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita na quinta-feira; no entanto, a localização de pelo menos seis deles parecia corresponder a fossas de queima, onde petróleo e gás podem ser queimados em situações de emergência.
O oleoduto tornou-se estratégico para a Arábia Saudita desde o início do conflito entre os EUA e o Irã. O reino redirecionou cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia — que inicialmente seriam destinados a petroleiros aguardando no Golfo Pérsico — devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã. Em vez disso, esse petróleo foi transportado pelo oleoduto Leste-Oeste até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Com a declaração de combatentes houthis de que atacariam quaisquer navios sauditas que tentassem passar pelo estreito de Bab al-Mandeb, saindo do Mar Vermelho, essa rota de escoamento do petróleo do reino também pode estar em risco.
Autoridades e especialistas dos EUA afirmaram que reparar estações de bombeamento poderia ser menos oneroso do que consertar danos graves na estrutura do próprio oleoduto.
O ataque ao sistema de oleodutos ocorre em um momento em que a Arábia Saudita informou à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) uma queda acentuada em sua produção de petróleo bruto no mês passado, atingindo os níveis mais baixos desde 1990.
Entenda impactos do bloqueio dos Houthis à Arábia Saudita no Mar Vermelho

