A aguardada abertura do mercado livre de energia elétrica aos consumidores atendidos em baixa tensão, como pequenos comércios e residências, permitirá a otimização do setor elétrico brasileiro, na avaliação do diretor da Thymos Capital, André Millions Coutinho.
O processo, aguardado pelo setor há muitos anos, deve ser efetivado em duas etapas, até o fim de 2028, liberando todos os consumidores para escolher seu fornecedor de eletricidade, o que deve se refletir em redução de custos.
Embora a liberalização completa do mercado de energia se arraste há cerca de duas décadas, para Millions o movimento ocorre “no tempo correto”. “Agora acontece em maturidade diferente de tempos anteriores”, afirma, em entrevista ao Capital Insights, programa produzido pela parceria entre a Broadcast e o CNN Money, que vai ao ar hoje, às 19 horas.
Ele considera que o cronograma estabelecido pelo governo para a abertura, de novembro de 2027 para consumidores industriais e comerciais e de novembro de 2028 para residenciais, é factível de ocorrer, mas salienta a necessidade de regulamentação complementar, adaptações por parte das empresas envolvidas, bem como maior divulgação de informações, de maneira clara e simplificada, para a população.
“Empresas desse segmento, comercializadoras e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica têm de tornar esse assunto mais simples para o consumidor final. Não pode ter dúvida quando tiver a opção de migrar”, diz.
Millions considera que a tecnologia e a inovação serão fundamentais nesse movimento.
Adicionalmente, afirma que as empresas interessadas em atuar no segmento devem olhar para a abertura do setor de telefonia móvel, para avaliar “dores e delícias desse processo”, e sugere que parcerias entre empresas de energia e agentes de varejo poderão gerar significativo ganho de escala.
Por outro lado, ele minimiza a influência, no processo de abertura do mercado livre, do atual momento de crise por que passam diversas comercializadoras, com vários casos de recuperação judicial ou extrajudicial.
Embora tenha admitido que a situação econômica frágil de vários agentes tenha retraído a atividade de comercialização, o diretor da Thymos afirma que nem todas as comercializadoras irão atuar no “varejo” e considera que a divulgação de mais informações pode dar segurança aos consumidores.
“Até lá, esse caminhar no sentido do letramento da população como um todo e desses clientes que ainda não puderam migrar – e que poderão migrar a partir de novembro de 2027 e novembro de 2028 – tende a minimizar e acalmar os ânimos, tornar essa passagem ao mercado livre mais segura, num ambiente menos hostil, de dúvidas, e até auxiliando na escolha de quem é o agente que vai te suprir de fato de energia.”
Millions reforça que a abertura de mercado deve propiciar uma redução do custo de energia para os consumidores que optarem pela migração, mas salienta que os valores de redução apontados anteriormente pelo governo, de 20% a 22% de diminuição, se referem apenas ao valor da energia especificamente.
“Parte do valor que na nossa conta de energia não tem interferência da abertura do mercado livre. Ainda continuaremos pagando a tarifa de fio”, diz.
Ainda segundo ele, os preços atualmente praticados para fornecimento nos próximos anos estão em patamares elevados, mas haverá uma acomodação. “Esperamos que esse não seja um fator impactante, um fator que retraia a migração para o mercado livre”, afirma.
Millions sugere que a abertura deverá levar empresas de mini e micro geração distribuída (MMGD) a repensar seu modelo de negócios, tendo em vista a competição com o mercado livre e também o fim do período de transição para o fim dos subsídios que apoiaram o crescimento do segmento.
“É um momento que vem muito a calhar para que o investidor repense o seu negócio e entenda como encontrar a melhor forma do seu negócio ter sustentabilidade, aproveitando demanda de novos consumos.”
Na entrevista, o diretor da Thymos também fala sobre os crescentes cortes de geração de energia, que têm prejudicado os investidores e tornado a energia mais cara, com impactos no desenvolvimento de projetos futuros.

