A Taesa já trabalha com a perspectiva de uma redução de receita nos próximos anos, com o vencimento de parte de suas concessões de transmissão, e busca novos negócios para compensar a queda da Receita Anual Permitida (RAP) prevista com o fim dos contratos.
Em coletiva de imprensa, o CEO da companhia, Rinaldo Pecchio, disse que a perda da RAP (Receita Anual Permitida) ocorrerá independentemente de o governo optar pela renovação dos contratos ou pela relicitação dos ativos.
Hoje, o setor debate qual é a melhor opção para os consumidores. A Taesa defende que já conhece os ativos e têm condições de melhor administrar. Outra frente no setor elétrico defende que os ativos devem ser relicitados e uma nova disputa deve favorecer os consumidores por conta dos deságios.
A principal razão é o fim da parcela da RAP destinada à remuneração dos investimentos realizados nas concessões. Com isso, a companhia reconhece que não será possível preservar o atual patamar de receitas apenas com os ativos existentes.
“Não existe a possibilidade da gente falar que continua num nível que a gente tem hoje”, afirmou Pecchio em conversa com jornalistas.
Pecchio diz que a empresa vem se preparando para esse movimento com antecedência. Segundo o executivo, o crescimento da receita observado nos últimos anos faz parte da estratégia de criar novas fontes de geração de caixa antes que o efeito do vencimento das concessões se torne mais relevante.
No momento, a transmissora aguarda uma definição do governo sobre o tratamento dos contratos que estão próximos do fim. A expectativa da companhia é que uma portaria com as condições para as concessões vincendas seja publicada até o final deste ano. A empresa mantém discussões com o MME (Ministério de Minas e Energia), a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
Um dos pontos em discussão é a forma de pagamento dos investimentos ainda não amortizados. Entre as alternativas avaliadas estão o recebimento dos valores ao longo de determinado período ou de maneira parcelada. Ainda não há, porém, uma metodologia definida.
Caso não haja uma solução considerada adequada, a Taesa admite até mesmo recorrer à Justiça, embora Pecchio tenha ressaltado que a judicialização seria uma alternativa de última instância.
Busca por nova receita
Diante da redução esperada das receitas, a estratégia da companhia passa por recompor a RAP por meio de três principais frentes: novos leilões de transmissão, fusões e aquisições e investimentos em reforços e melhorias na rede existente.
A postura ficou evidente na recente aquisição de cinco concessões de transmissão da Energisa. Segundo o diretor de Negócios e Gestão de Participações da Taesa, Maurício Dall’Agnese, a operação acrescentou mais receita à companhia do que ela conseguiria caso tivesse vencido todos os lotes oferecidos no leilão de transmissão realizado em março.
Hoje, a Taesa tem atualmente 16,6 mil km de linhas distribuídas por 49 concessões e recentemente comprou cinco ativos de transmissão de energia da Energisa, em uma operação de R$ 1,63 bilhão após atualização financeira e ajustes contratuais.
A empresa ficará fora dos leilões de transmissão de 2026, mas pode voltar ano que vem quando a alavancagem ficar abaixo de 4 vezes a relação dívida líquida/ebitda.
Baterias no radar
A procura por novas fontes de receita pode levar a Taesa também para além do negócio tradicional de linhas de transmissão. A empresa cadastrou projetos no certame que ocorrerá em dezembro.
A companhia avalia uma eventual participação no primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia por baterias, previsto para dezembro, dependendo das regras finais do certame. A empresa também mantém conversas sobre possíveis parcerias comerciais.
Para Dall’Agnese, uma entrada da Taesa no segmento de armazenamento representaria uma “evolução natural” dos negócios, levando em consideração a experiência técnica e os investimentos em tecnologia já realizados pela transmissora.
