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Lindsay Clancy: Júri declara erro em julgamento de acusada de matar filhos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Lindsay Clancy: Júri declara erro em julgamento de acusada de matar filhos

Durante a fase final do julgamento de Lindsay Clancy, enfermeira acusada de matar os três filhos, o júri enviou, na quinta-feira (3), uma nota ao juiz William Sullivan informando que um dos jurados não conseguia compreender as instruções da corte sobre a dúvida razoável e questionando como deveria proceder. O conteúdo da mensagem foi divulgado pela promotora do caso, Jennifer Sprague.

Sprague também afirmou que o júri chegou a enviar outro bilhete, afirmando que o mesmo jurado “fez declarações reconhecendo a existência de dúvida, mas se recusa a aplicá-la ao veredito, conforme determina a lei. É por isso que não conseguimos chegar a uma decisão unânime”.

De acordo com a Enciclopédia Britannica, para um acusado ser declarado culpado, é necessário que a corte tenha certeza da decisão “além de qualquer dúvida razoável”. Isto significa que um jurado só poderia ser a favor de um veredito de culpado caso não lhe restasse nenhuma dúvida sobre sua decisão.

Lindsay Clancy, enfermeira do Massachusetts acusada de matar seus três filhos em 2023, teve seu julgamento anulado após o júri, composto por 12 pessoas, não chegar a uma decisão unânime sobre o caso. A votação final resultou em 11 votos a favor da absolvição de Clancy e um contra.

O bilhete foi utilizado como evidência pela defesa, em um apelo para evitar a anulação do julgamento, para demonstrar que o jurado opositor à absolvição não seria capaz de seguir as instruções do juiz.

O documento, produzido pela equipe de Kevin Reddington, advogado de Clancy, também acusou este mesmo jurado de que seu raciocínio “refletia preconceito contra aqueles que sofrem de doenças mentais debilitantes.” e que seu viés deveria ser motivo para retirá-lo da corte.

Contudo, o juiz, William Sullivan, afirmou que não acreditava que seria possível continuar questionando o jurado sobre suas deliberações, e prosseguiu com a anulação do caso.

Nesta sexta-feira (4), o presidente Donald Trump disse que tem acompanhado o julgamento de Lindsay Clancy, classificando o caso como uma “tragédia horrível” e uma “situação terrível”.

Ele acrescentou: “É uma situação terrível. Veja, ela fez uma coisa horrível, horrível. Não tem como ser pior.”

O presidente disse que Clancy terá de pagar “um preço”.

“Vai ser uma instituição psiquiátrica, a prisão ou algo do tipo, mas imagino que haverá outro julgamento. É uma pena”, disse ele.

O que acontece agora?

O juiz marcou uma audiência de acompanhamento do processo para 29 de setembro, e a equipe de defesa de Lindsay Clancy poderá solicitar ao tribunal que a declare inocente.

Os próximos passos podem incluir uma possível manifestação sobre a acusação ou a realização de um novo julgamento.

O promotor do Condado de Plymouth, onde o caso está sendo julgado, Timothy Cruz, afirmou que a acusação decidirá se levará o caso a um novo julgamento durante uma audiência.

“Nenhuma decisão será tomada hoje a esse respeito”, disse ele.

Mais adiante, em suas declarações, ele afirmou que tomará essa decisão “em breve”.

Entenda o caso

Clancy, de 36 anos, respondia por três acusações de homicídio em primeiro grau pelas mortes dos filhos Cora, de 5 anos; Dawson, de 3; e Callan, de 8 meses. Os jurados também poderiam considerar acusações menos graves de homicídio em segundo grau e homicídio culposo.

Ela não nega ter estrangulado os filhos no porão da casa da família, em janeiro de 2023. A defesa, porém, argumentou que ela não deveria ser responsabilizada criminalmente porque sofria de psicose pós-parto na época das mortes e da tentativa de suicídio.

O julgamento, transmitido pela televisão, reacendeu debates de longa data sobre como a saúde mental pós-parto das mulheres é tratada nos EUA e como o sistema jurídico do país lida com casos em que mães matam seus filhos.

Ninguém contesta o fato de que Clancy estrangulou até a morte seus três filhos em janeiro de 2023, utilizando faixas elásticas de exercícios no porão de sua casa em Duxbury, um subúrbio de Boston. Em seguida, ela se feriu com uma faca e saltou de uma janela do segundo andar, em uma tentativa frustrada de tirar a própria vida, que a deixou paralisada.

Durante o julgamento, seu advogado, Kevin Reddington, tentou convencer os jurados de que ela deveria ser considerada inocente por motivo de insanidade, argumentando que ela era uma mãe amorosa que estava passando por um episódio psicótico quando matou as crianças.

Durante o julgamento, a acusação concentrou-se em evidências mostrando que, pouco antes dos assassinatos, Clancy havia enviado seu então marido, Patrick Clancy, para buscar um pedido de comida e ir a uma farmácia, depois de verificar no celular quanto tempo ele levaria para retornar para casa.

Ao retornar, ele a encontrou caída no chão do quintal, com cortes nos pulsos e no pescoço. Após a chegada das equipes de emergência, Patrick disse que correu para o porão — onde a esposa havia dito que as crianças estavam — e as encontrou com faixas elásticas de exercício amarradas ao redor do pescoço.

Ele e outras testemunhas relataram que Clancy lhes disse, posteriormente, ter ouvido a voz de um homem dizendo que, se ela não agisse, perderia a oportunidade. Reddington argumentou que isso era uma evidência de que ela sofria de psicose pós-parto no momento da tragédia, após meses de luta com sua saúde mental.

(Com informações da CNN e supervisada por Luciana Caczan)

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