O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quinta-feira (27), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se “o horário eleitoral na TV vai desempatar os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)”.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou, na quinta-feira (27), a resolução que estabelece o plano de mídia do horário eleitoral gratuito para o cargo de presidente da República nas eleições gerais de 2026.
A propaganda no rádio e na televisão tem início nesta sexta-feira (28), acendendo o debate sobre o peso desse espaço num cenário de intensa polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Horário eleitoral ainda tem relevância, avaliam comentaristas
Cardozo avaliou que, embora o horário eleitoral tenha perdido parte de sua importância em comparação com períodos anteriores, ele ainda é um instrumento relevante. “Especialmente numa campanha polarizada como essa, tudo é importante”, afirmou.
Para ele, toda forma de comunicação com o eleitor deve ser cuidadosamente planejada pelas equipes de marketing dos candidatos. Cardozo ressaltou que a mensagem televisiva, isoladamente, provavelmente não decide uma eleição, mas pode ser um fator decisivo em um cenário de empate técnico nas pesquisas.
Bortoletto compartilhou visão semelhante, destacando que o horário eleitoral influencia fortemente a comunicação como um todo. Segundo ele, as peças veiculadas na televisão e no rádio pautam os desdobramentos nas redes sociais. “Os desdobramentos em redes sociais são muito motivados pelo que acontece na televisão”, disse.
O empresário acrescentou que esse é o momento em que o eleitorado começa a compreender melhor as propostas de cada candidato e os planos de governo apresentados.
Ataques devem dominar o espaço eleitoral
Cardozo demonstrou ceticismo quanto à capacidade do horário eleitoral de promover um debate sério de propostas. Para ele, as peças publicitárias eleitorais funcionam como instrumentos de marketing, nem sempre com conteúdo programático consistente. “São peças publicitárias em que a pílula é dourada”, afirmou.
Ele também alertou que, em um cenário polarizado, errar pode ser mais prejudicial do que acertar é benéfico: “usará melhor o horário eleitoral quem errar menos”.
Bortoletto concordou que os ataques tendem a predominar sobre as propostas. “Por mais que o benéfico, aquilo que está sendo apresentado como positivo ou ideia, seja muito bom, vale muito menos do que o ataque bem colocado”, declarou.
O empresário lamentou que a política nacional acabe sendo pautada, muitas vezes, pelas falhas do adversário, em vez das qualidades de cada candidato.
Terceira via tem oportunidade, mas perspectivas são limitadas
Cardozo foi categórico ao afirmar que não enxerga espaço efetivo para mudança no quadro das duas candidaturas polarizadas, embora reconheça que pode haver crescimento de candidatos no campo da direita. “Eu não acho que esse horário eleitoral vai permitir a produção de uma terceira via”, disse.
Já Bortoletto acredita que o horário eleitoral representa a principal — e talvez única — oportunidade para candidatos fora da polarização se destacarem. Para ele, a terceira via só tem condição de furar a polarização se apresentar conteúdo programático consistente, algo que, em sua avaliação, deve faltar nas duas campanhas que lideram as pesquisas.

