Os Estados Unidos vão impor “as sanções mais duras da história” contra o Irã, afirmou nesta quinta-feira (20) o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, enfatizando medidas econômicas que, segundo ele, reduziriam a necessidade de novas operações militares de grande porte contra Teerã.
A declaração veio após a ameaça do presidente Donald Trump, um dia antes, de uma “guerra econômica” e o aviso sobre consequências econômicas contra qualquer país que fornecer “qualquer tipo de ajuda ao Irã”.
Os preços do petróleo subiram para o nível mais alto em mais de três semanas nesta quinta-feira (20).
“Não sei por que o petróleo reagiu dessa forma a isso”, comentou Bessent à CNBC. “Se estivermos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala”, apontou ele, usando um termo que se refere ao uso da força militar.
Milhares de pessoas foram mortas no conflito no Oriente Médio, que envolveu nações do Golfo Pérsico e abalou os mercados quando o Irã demonstrou a capacidade de restringir o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — uma via navegável que transportava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado antes de fevereiro.
Os EUA e o Irã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restaurar o livre fluxo da navegação pelo Estreito de Ormuz como um passo para o fim do conflito, mas ambos fracassaram rapidamente.
Antes da declaração de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores do Irã comunicou que condenava as sanções econômicas e comerciais dos EUA, classificando-as como “terrorismo econômico” que teria como alvo os iranianos comuns e equivaleria a crimes contra a humanidade.
Bessent disse à CNBC que compartilharia mais detalhes e “falaria exatamente sobre o que vão fazer” em relação ao Irã em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (24).
“É um golpe duplo. Temos o bloqueio (ao Irã) e vamos impor as sanções mais duras da história”, acrescentou ele, referindo-se ao bloqueio naval dos EUA imposto ao Irã em abril e suspenso por um mês em meados de junho.
“Isso vai funcionar no Irã e vamos derrubar esse regime. É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão”, disse ele.
Quando questionado sobre se os Estados Unidos poderiam tomar medidas contra a China por fazer negócios com o Irã, Bessent afirmou que muitas conversas são melhor conduzidas em privado.
“Tenha em mente que os chineses obtêm 50% de sua energia do Golfo. Portanto, seria um grande favor para eles aderirem à iniciativa”, continuou.
A China compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, segundo dados de 2025 da empresa de análise Kpler, mas entrar em mais uma guerra econômica com a China — um importante exportador para os EUA, inclusive de minerais de terras raras essenciais —, acarreta o risco de retaliação contra Washington.
Irã enfrenta anos de sanções
Em uma mensagem nas redes sociais na quarta-feira (19), Trump prometeu “guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes” contra o Irã, sem fornecer mais detalhes.
O Irã vem suportando sanções econômicas severas e contínuas há quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.
“Qualquer país que permita que as instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, consequências econômicas tremendas”, escreveu Trump na Truth Social.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou os comentários de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública norte-americana dos problemas financeiros internos, incluindo a dívida recorde e o aumento das taxas de juros.
Ele afirmou que a insistência de Washington em políticas que descreveu como fracassadas vai gerar mais fracassos e alienar os iranianos.
“O terrorismo econômico dos Estados Unidos ameaça a economia global e a soberania nacional de países em todo o mundo”, argumentou no X.
O Irã vem negociando separadamente um acordo sobre a gestão do Estreito de Ormuz com Omã e afirmou várias vezes nas últimas semanas que um acordo estava próximo.
Trump respondeu na segunda-feira (17) a essas negociações com uma ameaça, alertando que poderia bombardear o país do Golfo — um parceiro de longa data dos EUA em questões de segurança — caso ele “se intrometesse”.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, falando após se reunir com o homólogo japonês, disse nesta quinta-feira (20) que a segurança duradoura no Estreito exigia uma paz permanente na região e rejeitou uma nova escalada.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

