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Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira (17), em meio a uma grave crise financeira e ao fechamento de lojas.

Para Lucinda Pinto, analista e editora da CNN Money, a instabilidade da varejista não é recente — e o patamar elevado dos juros representou o golpe final sobre uma empresa já fragilizada há muitos anos.

A analista destacou que a crise do varejo atinge especialmente empresas voltadas ao consumidor de baixa renda, segmento no qual a inadimplência é mais intensa e o aperto financeiro mais severo.

“A maior parte dessas empresas se dedica a essa classe de consumo de renda mais baixa, que é justamente onde a gente está vendo a inadimplência afetar mais”, afirmou.

Esse público, segundo ela, depende do crédito para consumir — e a restrição ao crédito reduz diretamente as vendas, criando uma dualidade difícil de resolver: “Se você não empresta dinheiro, você não vende. Mas se você empresta dinheiro errado, você acaba tendo inadimplência.”

Uma crise que se arrasta desde 2009

Lucinda traçou um histórico detalhado das dificuldades da Casas Bahia. Segundo ela, os problemas remontam a 2009, quando ocorreu a fusão da empresa com o Ponto Frio, do GPA.

“A empresa enfrentou muita dificuldade para combinar as operações”, explicou.

Em 2015, a companhia já fechava lojas e apresentava desempenho fraco. Em 2019, o esforço para competir no ambiente digital era visível nos resultados, e a empresa tentou ampliar seu público, migrando de um perfil mais popular para disputar o e-commerce com consumidores de renda mais alta.

A analista também ressaltou que a chegada da Amazon ao Brasil, em 2012, e a consolidação do Mercado Livre tornaram a concorrência ainda mais acirrada. Durante a pandemia, a queda dos juros amenizou temporariamente as dificuldades.

“Deu uma disfarçada naquela situação desafiadora”, disse Lucinda.

Mas, com a alta dos juros no pós-pandemia, os problemas voltaram com força. Em 2023, a empresa iniciou um processo de reestruturação com a volta ao nome Casas Bahia e o foco no modelo original de vendas — carnê, linha branca e eletroeletrônicos —, abandonando linhas menos lucrativas.

Juros altos e falta de crédito novo

Apesar dos esforços de reestruturação, o cenário macroeconômico desfavorável inviabilizou a recuperação. A analista explicou que empresas varejistas possuem um ciclo de financiamento especialmente vulnerável: precisam pagar suas dívidas antes de receber os parcelamentos feitos pelos clientes. “Tem um descasamento ali que é fatal”, afirmou.

Com os juros em dois dígitos previstos até 2028, conforme a pesquisa Focus, a capacidade de captação de recursos tornou-se praticamente inviável.

A analista ainda mencionou que, no ano anterior, a Mapa Capital chegou a entrar como acionista indireta da empresa e realizou uma troca de dívida por ações, aliviando o passivo da Casas Bahia em R$ 1,6 bilhão. Ainda assim, a companhia não conseguiu acessar crédito novo suficiente para sustentar suas operações.

“O que aconteceu com a Casas Bahia, no fim das contas, é que ela precisava de dinheiro novo e não conseguiu”, concluiu Lucinda. Para ela, o caso da Casas Bahia é emblemático de um momento que muitas varejistas brasileiras estão atravessando, marcado por endividamento elevado, concorrência intensa e restrição severa de liquidez.

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