O governo de Donald Trump mudou oficialmente o comando do escritório do Departamento de Estado responsável pelas relações dos Estados Unidos com o Brasil e os demais países da América Latina. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (17/8).
Juan Pablo Segura (foto em destaque) assumiu, em 14 de agosto, o cargo de secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, substituindo o embaixador Michael Kozak, que exercia a função interinamente.
A mudança ocorre em um momento de forte deterioração das relações entre Washington e Brasília, marcado por disputas comerciais, atritos diplomáticos e divergências sobre assuntos políticos e institucionais.
Em publicação nas redes sociais, Segura afirmou que pretende colocar em prática a agenda de Trump para o hemisfério.
“Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, gerando prosperidade para os americanos e nossos parceiros, e garantindo a segurança de nossas fronteiras”, escreveu.




Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert/Presidência da RepúblicaJuan Pablo Segura assumiu, em 14 de agosto, o cargo de secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental
Reprodução/Departamento de Estado dos EUAMarco Rubio e Mauro Vieira em Washington
Divulgação/Redes SociaisQuem é Juan Pablo Segura
- Antes de chegar ao Departamento de Estado, Segura ocupou o cargo de secretário de Comércio e Negócios da Comunidade da Virgínia, durante a administração do governador republicano Glenn Youngkin.
- Na função, ficou responsável pela área de comércio internacional e por políticas de atração de investimentos para o estado.
- Segundo a biografia divulgada pelo Departamento de Estado, a economia da Virgínia superava US$ 710 bilhões em produto interno bruto anual durante sua gestão.
- Antes da carreira no setor público, Segura atuou como empreendedor.
- Segura também recebeu premiações voltadas ao empreendedorismo na região de Washington.
- Ele é contador público certificado e formado pela Universidade de Notre Dame.
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Mudança ocorre durante crise com Brasil
A relação entre as diplomacias segue em crise diante da imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros e da reação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio do mecanismo de reciprocidade comercial. O Brasil também acionou a Organização Mundial do Comércio para contestar medidas adotadas por Washington.
Recentemente, o governo Trump ainda revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi apresentada pelo Departamento de Estado como uma ação recíproca diante da demora do Brasil em conceder o chamado agrément — aval diplomático necessário para a nomeação do americano Daniel Perez como embaixador dos EUA em Brasília.
O impasse envolve ainda a decisão do Brasil de negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país.
O governo Lula tem sustentado que segue os trâmites diplomáticos previstos para esse tipo de nomeação.

